São Paulo bate recorde e registra 27 feminicídios no mês de janeiro

Escalada da violência de gênero confirma tendência de crescimento e evidencia falhas na proteção às mulheres no estado

Recorde de feminicídios expõe crise na proteção às mulheres - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 03/03/2026, às 10h57

O mês de janeiro marcou um novo ponto crítico na violência contra mulheres no estado de São Paulo. Em 31 dias, foram contabilizados 27 feminicídios, o maior número já registrado para o período desde o início da série histórica da Secretaria da Segurança Pública (SSP). A média, praticamente uma vítima por dia, reforça a escalada que o estado já havia demonstrado no ano anterior.

Em 2025, São Paulo havia superado o pior índice desde 2018, quando o feminicídio passou a ser classificado oficialmente pela SSP. A nova marca em janeiro confirma que a curva segue em alta, apesar das reiteradas demandas por medidas de prevenção e proteção.

Crimes recentes expõem cenário de violência extrema

Entre os casos que chocaram o estado, está o assassinato de Cibelle Monteiro Alves, esfaqueada pelo ex-companheiro enquanto trabalhava em uma joalheria dentro de um shopping em São Bernardo do Campo. O ataque ocorreu em horário comercial e na presença de outras pessoas, ilustrando uma violência que transborda o ambiente doméstico.

O estado ainda carrega as marcas de crimes brutais registrados no ano passado. Um dos episódios que mais causaram indignação da população foi o de Taynara Souza Santos, atropelada e arrastada por mais de um quilômetro pelo ex. Mesmo após cirurgias e amputações, ela morreu dias depois devido à gravidade das lesões.

Na última segunda-feira (23), a amiga de Taynara, Priscila Versão, também teve a vida interrompida por feminicídio. Ela chegou já sem sinais de vida ao hospital, levada pelo companheiro, com múltiplas marcas de agressão, escoriações e sangramento. Informações médicas apontaram ainda cheiro de gasolina em suas roupas, ampliando suspeitas sobre a dinâmica do crime.

Indicadores de violência continuam em alta

Os feminicídios são apenas parte de um panorama mais amplo. Em comparação com janeiro do ano passado, as ocorrências de ameaça cresceram de 8.705 para 9.646. Já os registros de lesão corporal passaram de 6.014 para 6.527, segundo dados da SSP.

Para especialistas, o avanço simultâneo desses indicadores reforça que a violência letal é, muitas vezes, o desfecho de um ciclo que começa com agressões verbais, controle e intimidação.

Enquanto isso, as estatísticas e, sobretudo, as histórias de Cibelle, Taynara, Priscila e tantas outras mulheres, seguem revelando o impacto humano e social de um problema que permanece urgente e devastador.

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