Investigação

Saiba quem é o empresário acusado de aplicar golpe milionário em banco digital em SP

Denunciado por investidores, ele entrou na mira da polícia após relatos de valores bloqueados e suspeita de fraude milionária

Eduardo Scatambulo Ribeiro é alvo de investigações após denúncias de clientes do Tresory Bank sobre estelionato e perdas financeiras - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 31/01/2026, às 09h00

O empresário Eduardo Scatambulo Ribeiro passou a ser investigado pela Polícia Civil após clientes do Tresory Bank, banco digital com atuação em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, registrarem denúncias por suspeita de estelionato. Segundo os relatos, investidores teriam aplicado valores altos na plataforma e, meses depois, perderam o acesso tanto aos rendimentos prometidos quanto ao capital investido.

As queixas começaram a ganhar força no fim de 2024, quando clientes passaram a enfrentar atrasos recorrentes nos pagamentos mensais e dificuldades para resgatar os valores depositados. Com o tempo, afirmam as vítimas, a comunicação com o empresário foi sendo interrompida, o que aumentou a desconfiança sobre a operação financeira.

Alguns investidores dizem ter aplicado quantias superiores a R$ 500 mil, atraídos por promessas de retorno fixo em torno de 2% ao mês. O dinheiro, no entanto, nunca teria sido devolvido. Há registros de ações judiciais em andamento e de um inquérito policial aberto para apurar os fatos.

Nas redes sociais, Scatambulo se apresenta como especialista em mercado financeiro, com experiência em operações internacionais e soluções personalizadas para empresas. Ele afirma ter formação em administração e trajetória profissional ligada ao varejo, ao setor financeiro e a bancos digitais antes de assumir o comando do Tresory Bank.

Documentos da Junta Comercial indicam que o empresário passou a ocupar o cargo de diretor-presidente da empresa em meados de 2023, após mudança na estrutura administrativa. No mesmo período, o Tresory alterou seu objeto social e passou a se apresentar como instituição de pagamentos, além de atuar como securitizadora e gestora financeira, segundo descrição feita pelo próprio grupo.

Em seus canais oficiais, o Tresory Bank se define como um banco digital voltado a pequenos e médios empreendedores, oferecendo serviços como conta digital, cartão de crédito, acesso a crédito rápido, investimentos, operações com criptomoedas e soluções para gestão financeira. Apesar disso, o nome da empresa não aparece entre as instituições autorizadas ou supervisionadas pelo Banco Central do Brasil.

Mesmo com atuação recente, o banco digital chegou a receber reconhecimento em uma premiação regional na categoria de negócio revelação, fato amplamente divulgado nas redes sociais da empresa.

Entre os relatos mais detalhados está o de um bancário que afirma ter investido cerca de R$ 500 mil junto com a esposa, motivado pela relação de confiança pessoal com o empresário. Segundo ele, as justificativas para os atrasos envolviam supostas operações financeiras internacionais e dificuldades para liberar recursos que estariam no exterior.

Uma das histórias apresentadas aos investidores incluía a alegação de que Scatambulo teria prestado serviços ao Vaticano, intermediando a liberação de doações feitas em criptomoedas. A narrativa mencionava cifras bilionárias e o pagamento de uma comissão milionária, argumento que teria sido usado para explicar a falta de liquidez momentânea.

Além disso, clientes relatam que o empresário mantinha um padrão de vida elevado, com endereço em condomínio de alto padrão e frequentes viagens internacionais mencionadas em conversas e publicações nas redes sociais. Segundo as vítimas, esse estilo de vida reforçava a imagem de sucesso e solidez financeira do negócio.

A defesa de Eduardo Scatambulo Ribeiro não se manifestou. As investigações seguem em andamento e novas vítimas ainda podem ser ouvidas pelas autoridades.

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