Operação ‘Carbono Oculto’ mira suposto esquema de lavagem de dinheiro da facção em postos e distribuidoras de São Paulo; ao menos 61 unidades da Rede Boxter têm indícios de participação
Lívia Gennari Publicado em 01/09/2025, às 10h16
Uma grande rede de postos de gasolina e uma distribuidora de combustíveis de São Paulo estão sob investigação do Ministério Público estadual por possível envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A investigação cita a Rede Boxter, que possui cerca de 150 postos no estado, e a distribuidora Rede Sol Fuel. Ambas aparecem nos pedidos de busca, apreensão e prisão autorizados pela Justiça no âmbito da megaoperação realizada na última quinta-feira (28), que mira o braço financeiro da facção criminosa no setor de combustíveis.
Entenda a operação
A Operação Carbono Oculto é realizada pelo Ministério Público, Polícia Federal e Receita Federal, e apura o suposto uso do setor de combustíveis para lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, a fraude começava na importação irregular de metanol, que chegava ao país pelo Porto de Paranaguá, no Paraná.
O produto, que deveria ser entregue a empresas de química e biodiesel indicadas nas notas fiscais, era desviado para postos de combustíveis. Segundo os promotores, o esquema comandado pela facção não apenas lavava dinheiro proveniente do crime, mas também gerava elevados lucros na cadeia produtiva de combustíveis.
A Receita Federal afirma que cerca de 1.000 postos de combustíveis ligados ao PCC movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. A investigação mira diferentes etapas da cadeia de combustíveis controladas pelo crime organizado, desde a importação, produção, distribuição e venda ao consumidor final, até a ocultação e proteção de patrimônio por meio de fintechs e fundos de investimento.
Empresas investigadas
De acordo com os promotores, a Rede Sol Fuel teve notas fiscais adquiridas pelo Mabruk II Fundo de Investimento, em transações que somam R$ 30 milhões. O fundo é um dos 40 alvos da Receita Federal na investigação de financiamentos ligados ao PCC no mercado de combustíveis. Entretanto, a Rede Sol Fuel, por meio de nota, afirmou que não é alvo da operação e que compartilha sua base logística em Jardinópolis com outras empresas do setor que estão sendo investigadas.
A Rede Boxter também aparece na investigação e é apontada por promotores por possuir ligação direta com integrantes do PCC. Embora não haja comprovação de que todos os postos da rede estejam envolvidos, pelo menos 61 unidades apresentam indícios de participação no esquema.
A rede é liderada pelo empresário Natalício Pereira Gonçalves Filho e seus filhos, e já havia sido alvo da Operação Rei do Crime, em 2020, quando a Polícia Federal identificou 50 postos usados para legalizar dinheiro do tráfico e beneficiar o PCC. Segundo a
Segundo a investigação atual, familiares de José Carlos Gonçalves, o Alemão - apontado como pela lavagem de recursos da facção - integram o quadro societário da Rede Boxter. Alemão é considerado uma peça-chave do esquema, devido aos seus vínculos com atividades ilícitas, especialmente a lavagem de dinheiro e a conexão com organizações criminosas.
A operação segue em andamento, e as autoridades afirmam que novas diligências e desdobramentos devem ocorrer nos próximos dias. Promotores e investigadores destacam que as apurações ainda estão em fase inicial, e e somente após a conclusão das apurações será possível confirmar eventuais envolvimentos e responsabilidades.