Familiares de Gisele Alves Santana apresentam novos indícios de controle e violência psicológica enquanto a morte da policial segue sob investigação
Lívia Gennari Publicado em 04/03/2026, às 16h41
Um registro de conversa obtido por parentes da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça, trouxe novos elementos para o caso que apura a morte da soldado no apartamento onde vivia com o marido.
A troca de mensagens mostra o tenente-coronel Geraldo Neto afirmando ter acesso e controle das redes sociais da esposa. Ele chegou a repreender um primo dela após visualizar a conversa entre os dois no perfil da policial.
Segundo a família, o conteúdo reforça a tese de que Gisele vivia um relacionamento marcado por vigilância constante e episódios de abuso psicológico. Parentes relataram à Polícia Civil que ela era restringida até mesmo no uso de maquiagem, perfumes e atividades físicas, que só poderiam ser realizadas na presença do marido.
Relembre o caso
A morte da soldado ocorreu em 18 de fevereiro, no bairro do Brás, região central da São Paulo. Inicialmente registrada como suicídio, a ocorrência passou a ser tratada como morte suspeita após inconsistências apontadas pela perícia.
Um laudo técnico detectou vestígios de sangue no box do banheiro, local onde Geraldo afirmou estar tomando banho no momento do disparo. O exame necroscópico também indicou que o tiro foi efetuado com o cano da arma encostado na lateral direita da cabeça da vítima.
O oficial, que solicitou afastamento de suas funções na Polícia Militar, declarou em depoimento que o casal havia discutido depois que ele manifestou o desejo de se separar. Disse ainda que, minutos após ir para o banho, ouviu o disparo e encontrou a esposa caída na sala, ferida e com sua arma na mão. Ele afirma ter acionado imediatamente as autoridades.
A família da policial, contudo, contesta desde o início a hipótese de suicídio. No 8º Distrito Policial, parentes relataram que Gisele demonstrava sinais de abuso emocional e vivia sob pressão constante dentro do relacionamento.
Os investigadores avaliam agora a possibilidade de solicitar a exumação do corpo para esclarecer dúvidas restantes sobre a dinâmica da morte, medida que dependeria de autorização judicial. Enquanto as análises seguem em andamento, Geraldo ainda não é formalmente tratado como investigado.
Gisele morava com o marido desde 2024. Sua filha, de sete anos, também residia no local, mas não estava no apartamento no momento do disparo que tirou a vida da policial.