Policiais civis são demitidos após condenação por ligação com o PCC

Decisão formaliza o afastamento de três agentes e a cassação da aposentadoria de outro servidor, após condenações por corrupção em São José dos Campos

oliciais perderam o cargo por cobrar propina e acobertar atividades do tráfico - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 28/02/2026, às 08h17

O governador Tarcísio de Freitas confirmou a demissão de três policiais civis condenados por envolvimento com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida, publicada no Diário Oficial na última sexta-feira (27), também inclui a cassação da aposentadoria de um quarto agente, todos alvos de uma decisão definitiva da Justiça paulista.

As expulsões decorrem de uma sentença proferida em 2019 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que condenou os investigadores Alexandre Tadeu Tome da Silva e Francisco Antônio Castilho Junior, além dos agentes André Luiz da Silva e Nestor Batista Telmo Junior, a seis anos e sete meses de prisão pelos crimes de associação ao tráfico e corrupção passiva. A atuação ilícita ocorria em São José dos Campos, no interior do estado.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) afirmou que a perda dos cargos cumpre determinação judicial e reforçou que a corporação “não tolera desvios de conduta”, reiterando que toda infração comprovada é apurada e punida conforme a legislação.

As acusações contra o grupo surgiram em 2017, após denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). Segundo a investigação, os policiais atuavam no tráfico de drogas no bairro Campo dos Alemães, em São José dos Campos. Eles teriam se aproveitado de apurações sobre a contabilidade do crime para cobrar propina de traficantes e, em troca, deixar de combater a atividade ilícita na região, além de omitir informações em registros oficiais.

O vínculo com o PCC veio à tona durante uma operação voltada à cúpula da facção no município. Na ocasião, foram apreendidos R$ 2 milhões e anotações que indicavam pagamentos irregulares aos agentes. A interceptação de conversas telefônicas reforçou as suspeitas e mostrou que os policiais chegaram a visitar pontos de venda de drogas. Também foram encontradas munições desviadas da Polícia Civil de São Paulo em poder dos criminosos.

Com o trânsito em julgado da decisão, o governo estadual formalizou as punições e encerrou um processo que se estendeu por quase uma década.

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