Nova linha investigativa apura se a vítima teria sido contida ao tentar acessar área proibida durante evento, ficando inconsciente após o confronto físico
Lívia Gennari Publicado em 11/06/2025, às 16h48
A Polícia Civil de São Paulo passou a considerar que o empresário Adalberto Amarilio Junior, de 35 anos, encontrado morto dentro de um buraco em uma obra no Autódromo de Interlagos, na Zona Sul da capital, pode ter sido vítima de um golpe conhecido como “mata-leão” durante um confronto com um segurança do local.
Essa é a nova frente de investigação sobre o caso, que já vinha sendo tratado como possível homicídio após uma discussão. Agora, a polícia apura a hipótese de que o empresário pode ter sido imobilizado por um segurança com um golpe semelhante ao “mata-leão”, que interrompe o fluxo de ar e sangue para o cérebro, provocando desmaio.
Os investigadores também trabalham com a possibilidade de que ele também tenha sofrido uma compressão torácica, causada, por exemplo, se alguém se sentou sobre suas costas ou o pressionou com o joelho, antes de perder os sentidos e ter o corpo descartado no buraco onde foi encontrado.
Na noite de 30 de maio, Adalberto esteve em um evento no autódromo, e a polícia investiga se ele tentou entrar em uma área restrita, o que pode ter motivado a abordagem por seguranças.
Depoimento de funcionários
Na última terça-feira (10), ao menos cinco integrantes da equipe de segurança que atuaram na noite do evento no Autódromo de Interlagos prestaram depoimento à Polícia Civil. As oitivas duraram cerca de três horas e foram acompanhadas por dois advogados. Nenhuma das testemunhas falou com a imprensa.
Segundo a polícia, a empresa responsável pela organização do evento tem colaborado com as investigações, fornecendo informações e listas com os nomes dos profissionais que trabalharam no local. Ao todo, cerca de 180 seguranças atuaram naquele dia, incluindo funcionários fixos do autódromo, do kartódromo e contratados temporariamente para o evento.
Outras suspeitas em apuração
Apesar da suspeita sobre o golpe mata-leão, a polícia ainda não descarta outras possibilidades. Uma delas é a de que Adalberto tenha sido dopado dentro do próprio carro com alguma substância semelhante ao “boa noite, Cinderela”. Marcas de sangue foram encontradas em pelo menos quatro pontos no veículo, mas os exames periciais ainda não confirmaram se o sangue é da vítima.
O que chama a atenção dos investigadores é que os pertences pessoais do empresário (carteira, celular, aliança, chave do carro) foram encontrados junto ao corpo, o que enfraquece a possibilidade de latrocínio. Por outro lado, a câmera acoplada ao capacete usado por Adalberto desapareceu, e até agora não foi localizada.
Outra suspeita é a de que o autor ou autores do crime conheciam bem o autódromo, já que o corpo foi encontrado em uma área de difícil acesso, coberta por tapumes.
Amigo deve depor novamente
A investigação também se concentra nos relatos de testemunhas. Rafael, amigo de Adalberto e a última pessoa a vê-lo com vida, deve prestar um novo depoimento nos próximos dias. Em sua primeira oitiva, ele afirmou que o empresário consumiu cerca de oito copos de cerveja e maconha durante o evento, o que o deixou “alterado e bastante agitado.
Apesar disso, Rafael disse à polícia que não presenciou nenhuma situação estranha ou discussão envolvendo Adalberto naquela noite. Já a esposa da vítima relatou que o marido não tinha inimigos.
As investigações continuam, e a polícia deve continuar colhendo depoimentos e ainda aguarda os laudos periciais e novos depoimentos para esclarecer as circunstâncias da morte.