Morte de PM é investigada como suspeita

Polícia investiga morte de policial militar encontrada com tiro na cabeça no Brás

Caso inicialmente tratado como suicídio passou a ser apurado como morte suspeita após surgirem divergências nos depoimentos

Polícia Civil aguarda laudos periciais para esclarecer se a morte foi um suicídio ou um crime, enquanto o velório se aproxima - Imagem: Reprodução/Instagram

Letícia Sales Publicado em 20/02/2026, às 10h16

A morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, ocorrida na quarta-feira (18/2), no bairro do Brás, na região central de São Paulo, é investigada pela Polícia Civil de São Paulo como caso de morte suspeita. A ocorrência havia sido registrada inicialmente como suicídio, mas foi reclassificada diante do que a corporação descreveu como “dúvida razoável” sobre as circunstâncias do disparo.

Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça na residência onde morava com o marido, o tenente-coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PM) Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. A arma utilizada pertence ao oficial.

Em depoimento, o tenente-coronel afirmou que havia pedido o divórcio e que a esposa teria reagido mal à decisão. Segundo ele, o disparo ocorreu enquanto estava no banho. O militar relatou ter acionado o resgate do helicóptero Águia e comunicado colegas da corporação, além de entrar em contato com um amigo desembargador para comparecer ao local. Após o ocorrido, disse ter sido encaminhado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP para atendimento psicológico.

Um delegado questionou o fato de o oficial ter retornado para casa para tomar banho após o ocorrido. Ele respondeu que permaneceria fora por longo período e, por isso, decidiu trocar de roupa antes de seguir para outros compromissos. Também declarou que não era aceito pelos pais da esposa.

A versão apresentada pelo militar foi contestada pela mãe de Gisele. Em depoimento, ela afirmou que a filha vivia um relacionamento “extremamente conturbado” e descreveu o genro como “abusivo, violento e controlador”. Segundo a mãe, a policial sofria restrições no dia a dia, como proibição de usar batom, salto alto e perfume, além de ser obrigada a cumprir rigorosamente tarefas domésticas. Ela também relatou que, dias antes da morte, a filha pediu para ser buscada pelos pais porque queria se separar.

Enquanto as versões permanecem conflitantes, a Polícia Civil aguarda laudos periciais e exames técnicos para esclarecer se houve suicídio ou crime. O velório de Gisele será realizado nesta sexta-feira (20/2), no Cemitério Colina dos Ipês, em Suzano, na Grande São Paulo.

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