Ações fiscais em bares e adegas identificam irregularidades e apreendem bebidas sem rótulos, reforçando a luta contra a venda de produtos adulterados
Gabriela Nogueira Publicado em 30/09/2025, às 14h31
A Polícia Civil de São Paulo realizou, na manhã desta terça-feira (30), uma operação focada no combate à falsificação de bebidas alcoólicas, resultando em três mandados de busca e apreensão cumpridos na cidade de Americana. Desde o início do ano, as autoridades estaduais já conseguiram apreender 5,2 mil unidades de bebidas destiladas que eram falsificadas.
As investigações conduzidas pela 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG) Antipirataria apontaram que uma propriedade rural na região era utilizada como um centro clandestino para a produção e envase de bebidas alcoólicas. Durante a ação, os policiais encontraram recipientes destinados ao armazenamento e transporte de líquidos, além de garrafas vazias.
Conforme informações fornecidas pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), os responsáveis pela falsificação estavam produzindo bebidas como uísque, gim e vodka no local. A operação resultou na apreensão de mais de 17,7 mil produtos. É importante destacar que a substância metanol não foi encontrada entre os itens confiscados.
A operação contou com a colaboração da Associação Brasileira de Bebidas e de uma plataforma de e-commerce que estava sendo utilizada pelos falsificadores para comercializar parte dos produtos ilegais.
O delegado Wagner Carrasco informou que as investigações sobre o local duraram mais de um mês, e durante a execução dos mandados foram descobertas instalações bem estruturadas que abasteciam tanto o comércio local quanto a capital paulista.
Duas pessoas foram detidas durante a operação e enfrentam acusações relacionadas a crimes contra a propriedade material, saúde pública e relações de consumo. As investigações prosseguem para identificar outros envolvidos no esquema criminoso.
Desde o início do ano, a 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG) Antipirataria já apreendeu mais de 14 milhões de produtos entre bebidas, rótulos e insumos relacionados à falsificação, resultando em 20 prisões e cinco indiciamentos por esse tipo de crime.
No dia anterior, 29 de setembro, as secretarias estaduais da Saúde (SES) e da Segurança Pública (SSP), junto ao Centro de Vigilância Sanitária (CVS) e à Vigilância em Saúde do Município de São Paulo (Covisa), realizaram ações fiscalizatórias em três estabelecimentos comerciais nas regiões dos Jardins e Mooca. Esses locais estão sob suspeita por possíveis vínculos com casos de intoxicação por metanol devido à venda de bebidas adulteradas.
Durante as fiscalizações, foram apreendidas 117 garrafas sem rótulos ou comprovação de origem, as quais serão submetidas à perícia no Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Técnico-Científica. Além disso, dois estabelecimentos foram autuados por irregularidades sanitárias.
Essas operações são realizadas regularmente pelas equipes das Vigilâncias Sanitárias tanto municipais quanto estaduais e foram intensificadas em cidades da Grande São Paulo. Em setembro deste ano, mais de 43 mil ações fiscais foram executadas nos 645 municípios paulistas relacionados ao comércio de bebidas, alimentos, bares, restaurantes e adegas.
Desde junho, foram confirmados seis casos de intoxicação por metanol associados ao consumo de bebidas adulteradas. Atualmente, dez casos estão sob investigação; destes, três resultaram em óbito — um homem de 58 anos em São Bernardo do Campo, outro de 54 anos na capital paulista e um terceiro caso que está sendo investigado quanto ao local residencial. Um caso foi descartado.
O Centro de Vigilância Sanitária do Estado (CVS) tem apoiado os municípios na fiscalização dos estabelecimentos comerciais relacionados à distribuição e venda das bebidas contaminadas. O CVS alerta que o consumo dessas bebidas pode representar sérios riscos à saúde devido à presença potencial de substâncias tóxicas.
Recomenda-se que bares e demais estabelecimentos tenham cuidado redobrado quanto à origem dos produtos oferecidos. A população também é orientada a adquirir apenas bebidas provenientes de fabricantes legalizados, que possuam rótulos adequados, lacres de segurança e selos fiscais para evitar intoxicações que possam comprometer vidas.