Fraude bancária

Polícia Civil faz operação contra banqueiros por desvio milionário em SP

Executivos são suspeitos de enviar dinheiro de clientes brasileiros para o exterior sem autorização e sem devolução dos valores

Justiça paulista autorizou bloqueio de até R$ 500 milhões provenientes de bens e valores dos investigados - Imagem: Divulgação | PCSP

Lívia Gennari Publicado em 23/04/2025, às 16h08

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta quarta-feira (23) a operação Floresta Devastada, com foco em um grupo de banqueiros e executivos investigados por desviar uma alta quantia de dinheiro de clientes brasileiros para uma offshore na América Central. A Justiça paulista autorizou o bloqueio dos bens e valores dos investigados, que somam até R$ 500 milhões.

Alvos e apreensões

Os principais alvos da operação são os irmãos Nelson Nogueira Pinheiro, Noberto Nogueira Pinheiro e Jaime Nogueira Pinheiro Filho, que são sócios da empresa MRCP Participações S/A. De acordo com investigadores do caso, eles são suspeitos de terem movimentado ilegalmente ativos de clientes por meio de empresas ligadas ao grupo.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em nove endereços relacionados aos suspeitos. A ação envolveu mais de 50 policiais, que recolheram documentos, computadores, celulares, obras de arte, joias e dinheiro em espécie. A Justiça também mandou bloquear os imóveis dos suspeitos, o que impede que eles vendam ou passem esses bens para outras pessoas.

Investigação

A investigação teve início em 2023 após uma decisão da 1ª Vara de Falência e Recuperações Judiciais, que apontou uma possível fraude em um pedido de recuperação extrajudicial feito pela Brickell Participações S/A, uma das empresas do grupo. Desde então, os investigadores descobriram indicídios de desvio e ocultação de bens, além de manobras para proteger o patrimônio do grupo e prejudicar os clientes.

Dentre as empresas citadas na operação estão o FPB Bank Inc, com sede no Panamá, que sofreu intervenção das autoridades locais; a própria Brickell Participações, liquidada pelo Banco Central do Brasil; e a Ducoco Produtos Alimentícios S/A, que foi vendida para a Malibu Holding S/A em uma transação que ainda é contestada na Justiça.

O esquema

A Polícia afirma que os recursos desviados foram enviados sem autorização para uma offshore em Belize, considerada um paraíso fiscal. Segundo as investigações, o dinheiro pertencia a empresários brasileiros que haviam se inscrito no programa de Repatriação de 2016, que permitia regularizar valores no exterior com o pagamento de impostos e multas reduzidas.

O que é uma offshore?

Uma offshore é uma empresa ou conta bancária registrada em um país diferente de onde o proprietário reside, geralmente em locais com impostos mais baixos ou sigilo bancário mais rigoroso. Esses "paraísos fiscais" são usados por indivíduos ou empresas para diminuir trtibutos, proteger ativos ou, em alguns casos, para práticas ilegais como lavagem de dinheiro. A criação de uma offshore é legal em muitos países, mas seu uso para ocultação de recursos é considerado crime.

No caso da operação Floresta Devastada, duas vítimas relataram à polícia prejuízos que, somados, chegam a quase R$ 130 milhões. A 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens autorizou o bloqueio de bens de 16 pessoas físicas e 19 empresas.

Os investigados podem responder pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As investigações continuam para identificar outros envolvidos no esquema e tentar reaver os valores desviados pelos suspeitos. 

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