Polícia Civil desarticula quadrilha de leilão falso que causou prejuízo de R$ 600 mil

Golpistas usavam sites e documentos falsos para enganar vítimas em leilões fraudulentos de carros; veículos nunca foram entregues

Policiais cumprem mandados de busca na capital paulista e em outras três cidades - Imagem: Divulgação | Governo de SP

Lívia Gennari Publicado em 09/05/2025, às 18h34

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta sexta-feira (9) a operação “Al-Alam”, voltada ao combate de uma organização criminosa especializada em aplicar golpes de falso leilão de veículos. A ação foi conduzida pela 1ª Delegacia de Investigações Gerais do Deinter 8, sediada em Presidente Prudente, com apoio do 1º Distrito Policial de Rosana, no interior do estado.

Os policiais cumpriram oito mandados de busca domiciliar nas cidades de São Paulo, Itaquaquecetuba e Eunápolis, na Bahia. Quatro suspeitos foram alvos diretos das investigações por participação em crimes de estelionato eletrônico.

A investigação

De acordo com os investigadores, o grupo criava sites falsos que imitavam visualmente plataformas oficiais de leilões, oferecendo veículos a preços bem abaixo do mercado. As vítimas, convencidas de que participavam de leilões oficiais, seguiam todas as orientações repassadas pelos golpistas e efetuavam os pagamentos dos veículos anunciados.

Os falsos sites utilizados pela quadrilha eram altamente sofisticados, o que aumentava a sensação de segurança. No entanto, ao irem até os endereços indicados para retirar os automóveis arrematados, descobriam que haviam caído em um golpe e que os pátios, na verdade, não existiam.

Cada fraude causava prejuízos que variavam entre R$ 30 mil e R$ 50 mil, resultando em um dano financeiro total superior a R$ 600 mil. Os crimes aconteceram entre 2021 e 2022 e foram descobertos após o registro de ocorrência feito por uma vítima de Rosana, no interior paulista, o que deu início às investigações.

Entre os quatro integrantes identificados está o líder do esquema, responsável por falsificar ou utilizar CNPJs de empresas inexistentes para dar aparência de legalidade às operações. A quadrilha também usava truques para enganar as vítimas, como copiar sites de leilões verdadeiros e usar ligações pela internet (VoIP) com números falsos, para dificultar que a polícia descobrisse quem estava por trás dos golpes

Parte do dinheiro obtido com os golpes era repassado a pessoas recrutadas para receberem os valores em suas contas bancárias e realizar saques rápidos. Em alguns casos, as quantias eram convertidas em dólares. Alguns desses colaboradores continuaram atuando com a quadrilha por até dois anos, atraídos pelos altos lucros.

Durante a operação, além das buscas, foram determinadas ordens de bloqueio de contas bancárias e o sequestro de cinco veículos, avaliados em cerca de R$ 300 mil.

Os investigados devem responder por estelionato qualificado e associação criminosa. A Polícia Civil informou que as informações coletadas serão compartilhadas com outras delegacias, já que há indícios da atuação da quadrilha em diferentes regiões do país.

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