Imagens mostram que o jovem foi morto pelos policiais enquanto não oferecia risco, reforçando denúncia de homicídio doloso
Lívia Gennari Publicado em 29/01/2026, às 18h10
Quatro policiais militares serão julgados em júri popular pela morte de Igor Oliveira de Moraes Santos, ocorrida em 10 de julho de 2025, na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. A decisão foi tomada na última terça-feira (27), pela juíza Luciana Menezes Scorza, da 4ª Vara do Júri da Capital.
Segundo a investigação do Ministério Público, dois dos policiais — Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima — dispararam contra o jovem mesmo com ele rendido e sem apresentar qualquer ameaça. Eles foram denunciados por homicídio doloso, por agir de forma consciente e deliberada.
Os outros dois agentes, Hugo Legal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus, também respondem por participação no crime. A promotoria aponta que eles ajudaram no ato, fornecendo suporte durante a abordagem e efetuando tiros no mesmo local onde Igor foi atingido.
As imagens das câmeras corporais mostram que Igor e outros dois jovens foram rendidos em uma residência após tentarem escapar da polícia durante uma operação de averiguação de tráfico de drogas. Mesmo com as mãos no alto, Igor foi atingido por tiros na cabeça por dois policiais, em uma sequência registrada pelos dispositivos.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou na época que a análise das gravações indicou irregularidade na conduta dos policiais. O porta-voz da corporação, coronel Emerson Massera, declarou que não havia justificativa para atirar contra alguém já rendido, reforçando que o homem não oferecia risco no momento.
Dois dos policiais foram presos em flagrante pela corregedoria da PM, enquanto os demais foram indiciados e aguardam o julgamento. A Secretaria de Segurança Pública reforçou que todas as mortes envolvendo agentes da corporação são acompanhadas pelo Ministério Público e pela corregedoria e lamentou o ocorrido.