Plano de megaassalto no Uruguai repete método histórico ligado ao PCC

Tentativa de ataque com túnel a banco em Montevidéu expõe padrão técnico já usado no maior furto do país

- Imagem: Divulgação / Ministério do Interior do Uruguai

Marina Milani Publicado em 17/02/2026, às 09h39

A tentativa frustrada de um megaassalto a uma agência do Banco da República, no Uruguai, revelou um padrão de atuação já conhecido das autoridades brasileiras e atribuído a integrantes do Primeiro Comando da Capital. A operação foi desarticulada no início do mês, com a prisão de suspeitos brasileiros e estrangeiros na região de Montevidéu.

Entre os detidos está Raimundo de Souza Pereira, conhecido como “Piauí”, condenado por participação no furto ao cofre do Banco Central em Fortaleza, em 2005 — caso que entrou para a história como o maior furto a banco do Brasil, com prejuízo de R$ 164 milhões. Na ocasião, a ação criminosa foi marcada pela construção de um túnel de grande extensão até a área do cofre, após meses de preparação logística e técnica.

De acordo com as investigações no Uruguai, o grupo preso pretendia aplicar estratégia semelhante, com escavação subterrânea, divisão rígida de tarefas e planejamento prévio detalhado. Cinco brasileiros foram detidos na operação, além de uruguaios e paraguaios que também fariam parte da estrutura de apoio. A Justiça local determinou prisão preventiva dos envolvidos enquanto o caso é aprofundado, e há possibilidade de pedidos de extradição.

Entre os presos também está um suspeito com formação técnica na área de engenharia e antecedentes por crimes contra instituições financeiras, o que reforça a avaliação de investigadores de que o grupo reunia conhecimento especializado para executar ações de alta complexidade.

Durante as diligências, as autoridades apreenderam grandes quantidades de drogas, indicando que a organização atuaria de forma integrada em diferentes frentes criminosas, combinando planejamento de furto de alto valor com rotas de tráfico.

Para investigadores, o caso aponta a tentativa de replicar fora do Brasil um modelo operacional que prioriza engenharia clandestina, ações silenciosas e redução de confronto direto, com foco em alvos de grande porte e alto potencial financeiro. O espaço segue aberto para manifestação das defesas dos citados.

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