FEMINICÍDIO

MP denuncia tenente-coronel da PM por morte da esposa em SP

Oficial foi preso no interior; investigação aponta tentativa de simular suicídio

Gisele e o tenente-coronel moravam no apartamento onde ela foi baleada - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 18/03/2026, às 14h20 - Atualizado às 15h07

O Ministério Público de São Paulo denunciou, nesta quarta-feira (18), o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, pela morte da esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana. Ele foi preso em São José dos Campos, no interior paulista, durante ação da Corregedoria da PM.

A prisão foi determinada pelo Tribunal de Justiça Militar, que acolheu os indícios reunidos ao longo das investigações. De acordo com a acusação, o oficial teria efetuado um disparo contra a vítima, atingindo sua cabeça, e, em seguida, tentado alterar a cena para simular um suicídio. O crime ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal vivia, no Brás, região central da capital.

A medida judicial antecipou uma decisão que ainda seria analisada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, após pedido de prisão apresentado pela Polícia Civil na véspera. O avanço das apurações levou as autoridades a considerar inconsistências na versão apresentada pelo suspeito desde o início.

As investigações conduzidas pelo 8º Distrito Policial reuniram laudos periciais, depoimentos e registros das primeiras horas após o ocorrido. Segundo os investigadores, os elementos apontam para uma dinâmica incompatível com a hipótese de suicídio sustentada pelo tenente-coronel.

Gisele foi encontrada gravemente ferida dentro do imóvel e socorrida pelo Corpo de Bombeiros. Ela foi levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos. O atestado de óbito indica que a causa da morte foi traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo.

Com base na reconstituição dos fatos e nas análises técnicas, a Polícia Civil concluiu que o caso deve ser tratado como homicídio. O oficial permanece preso e passa a responder criminalmente pela morte da esposa.

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