Acusado de explorar sexualmente e corromper menores, o homem de 56 anos responderá em liberdade, mas terá que cumprir medidas cautelares e manter distância das vítimas
Lívia Gennari Publicado em 04/09/2025, às 13h54
A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e tornou réu o motorista de aplicativo Marcos Eduardo Bernardes Silva, de 56 anos, conhecido como “Marcão”. Ele é acusado de praticar crimes sexuais contra seis adolescentes moradores de Alphaville, condomínio de alto padrão na Grande São Paulo.
Contudo, embora tenha sido preso em junho deste ano, após investigação da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santana de Parnaíba, o motorista deixou a prisão nesta semana. A liberdade foi concedida um dia antes de ele se tornar réu, por decisão do desembargador Guilherme de Souza Nucci, que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares.
Acusações e relatos das vítimas
De acordo com a denúncia, Marcão teria enviado mensagens, fotos, áudios e vídeos de conteúdo pornográfico aos jovens, todos menores de 18 anos. Os adolescentes relataram ainda que o motorista tentou beijá-los e tocá-los à força durante corridas para escolas, festas e shoppings.
As vítimas também contaram à polícia que o motorista oferecia bebida alcoólica e até mesmo a direção do próprio carro, prática proibida por lei. Em alguns casos, Marcão teria prometido apresentar garotas em troca de nudes. A promotora do caso, Renata Caetano Fuga, classificou o acusado como um “predador sexual”.
Ao todo, o MP atribuiu a ele 24 crimes, incluindo violência sexual mediante fraude, exploração sexual de vulnerável, corrupção de menores, entrega de direção a pessoa não habilitada, fornecimento de bebida alcoólica a adolescentes e produção de pornografia infantil. Para cada vítima identificada, foi pedida indenização de R$ 100 mil.
Entre os jovens envolvidos no caso, estariam filhos de um desembargador de Justiça e de um empresário do futebol brasileiro.
Decisão judicial e medidas cautelares
Apesar da gravidade das acusações, a Justiça entendeu que a prisão poderia ser substituída por medidas alternativas. Por isso, o motorista está proibido de sair da cidade sem autorização, deverá comparecer mensalmente em juízo, e não pode se aproximar de uma das vítimas a menos de 100 metros.
Com isso, ele responderá em liberdade até a audiência de instrução, etapa em que vítimas, testemunhas e o próprio réu serão ouvidos. Caso seja condenado, poderá cumprir pena superior a quatro anos de prisão.
O que diz a defesa
A defesa de Marcos nega todas as acusações. Em nota, afirmou que não existem provas concretas nos autos e classificou como “desproporcional” o uso do termo “predador sexual” pela promotoria.
Os advogados alegam ainda que o motorista enfrenta doença grave e que é responsável pelo sustento da mãe, de 91 anos. A defesa disse confiar que a instrução processual comprovará a inocência de Marcão.