Mais de 200 homens são presos em SP por crimes de violência contra a mulher

Operação da Polícia Civil cumpriu mandados em todo o estado; maioria das prisões envolve descumprimento de medida protetiva

Força-tarefa prendeu 233 investigados por violência doméstica - Imagem: Reprodução | Governo de SP

Lívia Gennari Publicado em 30/12/2025, às 13h20

A megaoperaão da Polícia Civil de São Paulo, realizada na manhã desta terça-feira (30), resultou na prisão de 233 homens investigados por crimes de violência doméstica e familiar contra mulheres. A ação ocorreu em todo o estado e contou com a articulação da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e da Secretaria de Políticas para a Mulher.

Ao todo, a Justiça expediu cerca de 1,4 mil mandados, relacionados a diferentes tipos de agressão. A maior parte deles, segundo a polícia, diz respeito ao descumprimento de medidas protetivas, ou seja, ordens judiciais que visam afastar o agressor da vítima e impedir novas ameaças ou ataques.

A mobilização envolveu todos os Departamentos de Polícia Judiciária do Interior e as seccionais da capital, com atuação direta das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs). Cerca de 1,7 mil policiais civis participaram da operação, considerada uma das maiores do ano voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher.

Para a secretária estadual de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, a operação desta terça (30) teve impacto direto na preservação de vidas.

“Um homem agressor preso significa uma mulher, uma família, salva”, afirmou durante entrevista coletiva realizada na sede da SSP.

Segundo Liporoni, esta foi a quarta operação do tipo realizada em 2025, mas a primeira conduzida de forma integrada entre a Secretaria de Políticas para a Mulher e a Secretaria da Segurança Pública.

Casos de feminicídio disparam em SP

A ofensiva ocorre em um momento de alerta. Em 2025, a cidade de São Paulo registrou o maior número de feminicídios desde o início da série histórica, em abril de 2015. 

Um dos casos recentes que evidenciam a gravidade da violência contra a mulher foi o de uma mulher atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na Marginal Tietê. Tainara Souza Santos, de 31 anos, teve as pernas amputadas e morreu após quase um mês internada. O episódio reforçou o alerta sobre a escalada da violência de gênero e a urgência de medidas efetivas de proteção.

Diante desse cenário, a Polícia Civil afirma que ações contra a violência de gênero devem continuar ao longo de 2026, com foco no cumprimento rigoroso das decisões judiciais e na atuação rápida em casos de reincidência. A estratégia, segundo o governo estadual, é ampliar a proteção às vítimas e reforçar a rede de enfrentamento à violência contra a mulher em todo o estado.

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