Mãe é condenada por entregar abusador da filha ao tribunal do PCC

O caso chocante envolve o desaparecimento e morte de Felipe Batista, que tinha um relacionamento com a filha de Thaynara, então menor

Thaynara Ribeiro Gomes foi condenada a seis anos de reclusão por cárcere privado e envolvimento com organização criminosa em MS. - Imagem: Reprodução | Redes Sociais

Marina Milani Publicado em 29/03/2025, às 13h14

A Justiça de Mato Grosso do Sul proferiu sentença condenatória contra Thaynara Ribeiro Gomes, de 26 anos, a uma pena de seis anos de reclusão e 10 dias-multa. A decisão foi tomada em decorrência de sua participação em um caso de cárcere privado e por sua vinculação com uma organização criminosa. As investigações revelaram que Thaynara teve um papel ativo ao acionar o chamado tribunal do crime do Primeiro Comando da Capital (PCC) para punir Felipe Batista de Carvalho, um jovem de 19 anos que mantinha um relacionamento amoroso com sua filha, então com apenas 11 anos.

O desfecho trágico deste caso ocorreu na noite de 16 de abril de 2022, quando Felipe desapareceu. Seu corpo foi encontrado quatro dias depois, em estado avançado de decomposição, com mãos e pés amarrados na região rural de Vila Nova Campo Grande. A causa da morte foi determinada como enforcamento.

No início das investigações, Thaynara, que não possuía antecedentes criminais, era indiciada por homicídio doloso, além dos outros crimes mencionados. No entanto, durante o julgamento, ela foi absolvida da acusação de homicídio e condenada apenas pelos delitos remanescentes. A Justiça estipulou que sua pena será cumprida inicialmente em regime semiaberto.

O desenvolvimento do crime

Documentos judiciais obtidos pela reportagem revelam detalhes importantes sobre os acontecimentos. Testemunhas e conhecidos relataram que Thaynara residia próximo à casa da mãe de um amigo de Felipe, onde ele estava morando temporariamente. Relatos indicam que Thaynara havia tentado estabelecer uma relação afetiva com Felipe ao chegar na cidade, mas não obteve sucesso, o que lhe causou frustração.

Posteriormente, ao descobrir que Felipe estava se relacionando com sua filha menor, ela decidiu planejar uma forma de punir o jovem. A partir desse ponto, Thaynara contatou o pai da menina, que estava preso e alegou que a filha havia sido abusada. Sob a influência do pai da menor, Thaynara mobilizou membros do PCC para realizar suas ameaças contra Felipe.

No dia do desaparecimento, Thaynara se apresentou na casa da vítima afirmando que seus "irmãos" desejavam vê-lo. Após esse encontro, Felipe foi mantido em cárcere privado e não foi mais visto por amigos e familiares. O corpo dele foi descoberto no dia 20 de abril por um transeunte que acionou as autoridades.

Desdobramentos legais

Além da condenação de Thaynara, outros dois indivíduos foram julgados em outubro de 2024 pelo mesmo crime: Bruno Henrique Soares Ortega e Maykon Leiva Monção. Ambos enfrentaram acusações relacionadas a homicídio qualificado e envolvimento com organização criminosa.

No julgamento de Thaynara, o juiz Carlos Alberto Garcete da 1ª Vara do Tribunal do Júri destacou a evidência clara do papel dela no "julgamento" informal de Felipe. Ele enfatizou que sua atuação facilitou a execução dos planos criminosos ao contatar diretamente os membros do PCC e atrair a vítima para sua residência sob falsas promessas.

O juiz ainda reforçou que "a movimentação significativa realizada pela acusada demonstrou sua influência dentro da organização criminosa", o que contribuiu para agravar sua culpabilidade nesta trágica situação.

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