Justiça de SP condena delegado e cinco policiais por integrar organização criminosa

Sentença reconhece atuação articulada para extorquir traficantes na Grande São Paulo; decisão cita grupo estruturado para cobranças ilegais

MPSP apresenta denúncia contra o delegado Eduardo Peretti Guimarães e outros cinco policiais - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 23/02/2026, às 17h04 - Atualizado às 19h45

A Justiça de São Paulo condenou o delegado Eduardo Peretti Guimarães e outros cinco policiais de Mogi das Cruzes por integrarem um grupo criminoso formado, segundo a sentença, para extorquir traficantes que atuavam em Guarulhos, na Grande SP. Embora os réus tenham sido absolvidos das acusações individuais de extorsão, roubo e tráfico de drogas, o juiz entendeu que havia provas suficientes para comprovar a existência da organização criminosa e de sua finalidade ilícita.

O grupo chegou a ser preso em setembro de 2022, durante a etapa inicial da investigação conduzida pelo Ministério Público, que apontava cobranças semanais entre R$ 10 mil e R$ 20 mil impostas a traficantes da região. Todos poderão recorrer em liberdade. 

Condenações

O delegado recebeu a pena mais alta entre os réus: 9 anos de prisão em regime fechado, além de multa. Ele já havia sido afastado da Polícia Civil em 2017, após condenação por um crime de concussão, mas voltou ao cargo em 2021 por decisão judicial.

Os demais condenados: Jorge Luiz Cascarelli, Jocimar Canuto de Paula, Wilson Isidoro Junior, Ronaldo Batalha de Oliveira e Diego Bandeira Lima, foram sentenciados a 8 anos e 9 meses de prisão, também em regime fechado, além de multa. Os dois policiais militares e dois policiais civis tiveram ainda decretada a perda do cargo público.

Na decisão, o juiz determinou que todos os réus arquem com as custas processuais. O magistrado não fixou valor de reparação de danos, argumentando que o crime de organização criminosa, tal como comprovado no processo, não permite a identificação de uma vítima direta.

Defesas prometem recorrer

Após a divulgação da sentença, o delegado afirmou que vai recorrer e destacou ter sido absolvido das acusações de extorsão, tráfico e associação ao tráfico. Ele disse ter confiança de que será inocentado também no Tribunal de Justiça.

A defesa do policial civil, Ronaldo Batalha, declarou ter recebido a decisão “com surpresa” e adiantou que buscará sua revisão. Os representantes do PM Jocimar Canuto afirmaram estar “totalmente inconformados” com o resultado e também recorrerão.

Os advogados do policial civil Wilson Isidoro Junior, por sua vez, classificaram que sentença “merece ser integralmente reparada” pela instância superior.

A decisão ainda não é definitiva e o caso deve seguir em análise no Tribunal de Justiça nos próximos meses.

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