Jovem português é julgado por ligação com ataque a tiros em escola de São Paulo

Miguel Ângelo é acusado de orientar o adolescente que matou uma estudante na Escola Estadual Sapopemba, além de planejar outros ataques no Brasil

Escola Estadual Sapopemba, na Zona Leste de SP foi alvo de ataque em 2023 - Imagem: William Santos

Lívia Gennari Publicado em 19/02/2026, às 11h03

O jovem Miguel Ângelo, conhecido como Mikazz, começou a ser julgado nesta quinta-feira (19), em Portugal, sob a acusação de participação no ataque a tiros na Escola Estadual Sapopemba, na zona leste de São Paulo, ocorrido em 2023. O crime resultou na morte de uma aluna de 17 anos e deixou marcas profundas na comunidade escolar.

O português de 18 anos, responde a 240 crimes, incluindo sete homicídios, um consumado e seis tentativas, e teria atuado como mentor do adolescente de 16 anos que realizou o ataque em Sapopemba. De acordo com o Ministério Público de Portugal, Miguel Ângelo dirigia um grupo chamado "The Kiss" em uma plataforma chamada Discord, onde incitava membros a cometer atos de violência, automutilação e maus-tratos a animais, além de divulgar discursos racistas.

Conforme as investigações, o ataque em na escola paulista não teria ocorrido sem a influência do jovem português. "Pediram para eu fazer e eu fiz", afirmou o adolescente que realizou o massacre. O Ministério Público sustenta que o brasileiro, sozinho, não teria capacidade de planejar o crime e que a orientação de Miguel Ângelo foi determinante para o ato. 

O processo que levou à prisão preventiva de Miguel Ângelo em maio de 2024 também aponta que ele teria planejado outros ataques em território brasileiro, que puderam ser evitados graças à atuação preventiva das autoridades. A apuração foi fruto de uma força-tarefa internacional entre a Polícia Judiciária portuguesa e a Polícia Federal do Brasil.

Além de homicídio e tentativa de homicídio, Miguel Ângelo enfrenta acusações por instigar crimes, associação criminosa, pornografia de menores, coação e incitação ao ódio, à violência e ao suicídio. As investigações indicam que ele operava a partir das cidades portuguesas de Santa Maria da Feira e Gondomar, coordenando ações com impactos internacionais.

O julgamento desta quinta marca o início da análise judicial sobre a responsabilidade do jovem no ataque que chocou São Paulo, revelando a complexidade de crimes mediados pela internet e o alcance transnacional de grupos extremistas.

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