Apontado como especialista em túneis no caso de Fortaleza, “Piauí” teve pena extinta por decreto presidencial e foi detido no Uruguai em nova investigação
Marina Milani Publicado em 18/02/2026, às 11h52
Condenado pelo furto milionário ao Banco Central em 2005, em Fortaleza, Raimundo de Souza Pereira, de 61 anos — conhecido como “Piauí” — foi beneficiado por indulto presidencial e teve o restante de suas penas extintas em abril de 2024. Meses depois, ele voltou a ser preso, desta vez no exterior, suspeito de integrar um grupo que planejava um novo grande furto bancário.
O crime no Ceará ficou marcado como o maior furto a instituição financeira da história do país, com a retirada de cerca de R$ 164 milhões por meio de um túnel escavado até o cofre. Segundo os autos do processo, Raimundo teve papel técnico relevante na obra subterrânea, atuando na coordenação da escavação e na logística da estrutura.
O indulto aplicado ao condenado teve como base decreto presidencial publicado no fim de 2023, que estabeleceu critérios para extinguir penas de presos que já haviam cumprido parte significativa da condenação e se enquadravam em requisitos como regime aberto e tempo restante dentro do limite fixado. A decisão judicial posterior reconheceu o benefício e encerrou a execução penal, embora a condenação permaneça registrada.
De acordo com o processo, o túnel utilizado no furto histórico tinha cerca de 80 metros e foi aberto a partir de um imóvel alugado com fachada comercial. A operação foi executada sem disparo de alarmes e sem confronto, após meses de preparação. A divisão de tarefas e o planejamento técnico foram considerados decisivos para o sucesso da ação criminosa.
Já em liberdade, Raimundo foi preso no último dia 3 na cidade de Montevidéu, durante operação policial que desarticulou um grupo suspeito de preparar um novo “furto do século”. Investigadores apontam que o plano também envolvia escavação subterrânea e divisão especializada de funções.
As autoridades locais afirmam que a quadrilha teria ligação com o Primeiro Comando da Capital e reunia integrantes brasileiros, uruguaios e paraguaios. Ao todo, 11 pessoas foram presas. Na ação, também houve apreensão de drogas e equipamentos que seriam usados na operação.
A Justiça uruguaia determinou a prisão preventiva dos investigados por 180 dias. A defesa dos suspeitos não havia se manifestado até a última atualização do caso.