Autoridades alertam para aumento de casos e reforçam orientações de prevenção
Gabriela Nogueira Publicado em 29/12/2025, às 07h57
O golpe do bilhete premiado, conhecido há mais de um século, continua ativo e causando prejuízos milionários em São Paulo. Mesmo amplamente divulgado, o esquema segue se renovando por meio de abordagens bem ensaiadas, discursos convincentes e forte apelo emocional, com foco principal em pessoas idosas.
Investigações recentes mostraram que os criminosos costumam atuar em dupla ou em pequenos grupos, escolhendo pontos estratégicos próximos a bancos e locais de grande circulação. A encenação começa com um suposto ganhador de um prêmio alto que afirma não poder receber o dinheiro por motivos religiosos ou pessoais. Em seguida, um comparsa surge como alguém comum, reforçando a história e ajudando a convencer a vítima de que o bilhete é verdadeiro.
Em São Paulo, imagens de câmeras de segurança ajudaram a identificar dois irmãos suspeitos de aplicar o golpe contra um idoso de 88 anos. A vítima foi induzida a acreditar que participaria da divisão de um prêmio milionário e acabou entregando cerca de R$ 70 mil em troca de um envelope sem valor algum. A encenação incluiu até uma falsa ligação para uma suposta gerente da Caixa Econômica Federal.
Outros relatos mostram que o prejuízo pode ser ainda maior. Uma mulher contou à polícia que fez um empréstimo de R$ 100 mil após ser pressionada por duas golpistas, que ameaçaram destruir o bilhete se ela não colaborasse. Em São José dos Campos, uma idosa perdeu mais de R$ 3 milhões ao longo de semanas, após sucessivos depósitos feitos aos criminosos.
Especialistas apontam que o sucesso desse tipo de golpe está ligado à manipulação psicológica. Os criminosos criam um ambiente de urgência, exploram a boa-fé das vítimas e usam discursos que misturam medo, promessa de recompensa e autoridade falsa. Muitas pessoas só percebem a fraude quando o dinheiro já foi transferido.
A Polícia Civil identificou uma família com histórico de atuação nesse tipo de crime desde 2009. Dois suspeitos estão presos, enquanto uma terceira envolvida segue foragida. Dados do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) indicam que, até dezembro de 2025, ao menos 382 casos foram registrados em São Paulo, número que pode ser maior devido à subnotificação.
A Caixa Econômica Federal reforça que não confirma bilhetes premiados por telefone, mensagens ou intermediários. Qualquer verificação deve ser feita diretamente nas agências. Já a Febraban orienta que ninguém entregue dinheiro a desconhecidos e que, diante de qualquer tentativa de golpe, procure imediatamente a polícia.