Investigação da Polícia Federal apura movimentação de R$ 2,6 milhões em esquema de lavagem de dinheiro ligado a funerária no Ceará
William Oliveira Publicado em 15/05/2025, às 09h56
A Polícia Federal (PF) iniciou uma investigação abrangente envolvendo a movimentação de R$ 2,6 milhões em um esquema suspeito de lavagem de dinheiro. O foco da apuração é a funerária Global Planos Funerários, situada em Fortaleza, no Ceará, que estaria utilizando sua estrutura para fraudar documentos e lavar recursos oriundos de descontos indevidos na folha de pagamento de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
De acordo com os dados apresentados no relatório da PF, entre fevereiro e julho de 2024, a funerária registrou movimentações financeiras superiores a R$ 82 milhões, sendo cerca de R$ 2,6 milhões classificados como suspeitos. A sócia da empresa, Cecília Rodrigues Mota, é uma das investigadas e está sendo monitorada por suas frequentes viagens ao exterior.
Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi um repasse de R$ 100 mil feito pela Global para uma empresa de tecnologia chamada Highway Comércio e Serviços de Informática. Posteriormente, esse mesmo valor foi redistribuído para outras companhias associadas a Cecília Rodrigues Mota.
Além disso, foram identificados outros depósitos suspeitos: R$ 214 mil destinados à Associação de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis da Região Centro Norte de Palmas (Asbampa), e dois repasses significativos para a Associação Brasileira dos Servidores Públicos (Abrasp), que totalizaram R$ 1,9 milhão entre setembro de 2023 e janeiro de 2024, além de mais R$ 400 mil no mesmo período.
Um relatório da Polícia Federal destaca que o fluxo financeiro normal seria o oposto — das associações para as empresas prestadoras de serviço. No entanto, neste caso, observou-se um fluxo invertido com valores expressivos.
As investigações sugerem ainda que certidões de óbito podem estar sendo falsificadas para justificar os pagamentos feitos pela funerária. Os custos estimados por serviço funerário eram de R$ 3 mil por caso. Segundo cálculos da PF, entre 2022 e 2024, os valores movimentados seriam suficientes para cobrir aproximadamente 8.713 sepultamentos — número que não condiz com os registros reais de falecimentos nas associações envolvidas.
Outro ponto levantado pelos investigadores é que, mesmo com o suposto número elevado de mortes, as associações mantiveram ou até aumentaram o número de associados contribuintes ao longo do período.