Alex Leandro Bispo dos Santos teve nome citado em apuração que envolve contratos do Instituto Conhecer Brasil e possíveis conexões com facção criminosa
Julio Cezar Souza Publicado em 26/06/2026, às 11h23
O empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, sócio de uma empresa relacionada à produtora responsável pelo filme Dark Horse, documentário sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) como suposto integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A informação consta em investigações conduzidas por órgãos de segurança e foi confirmada por fontes do MP e da Polícia Civil. O nome de Santos surgiu durante apurações que envolvem empresas ligadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização comandada pela empresária Karina Ferreira da Gama, também investigada em uma operação que apura suspeitas envolvendo um contrato de R$ 157 milhões para instalação de pontos de internet gratuita em comunidades da capital paulista.
Até dezembro de 2025, Santos era o único sócio da empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., uma das companhias contratadas pelo ICB para atuar no programa de Wi-Fi gratuito em regiões periféricas de São Paulo.
Segundo os investigadores, a empresa teria recebido repasses milionários dentro da estrutura analisada. Um dos pagamentos identificados foi de R$ 50 mil diretamente para Santos. O inquérito aponta ainda uma movimentação financeira de R$ 746 milhões em créditos relacionados ao esquema investigado, com parte dos valores composta por depósitos em dinheiro sem identificação.
Empresário está preso por suspeita de feminicídio
Além das investigações relacionadas ao PCC, Alex Leandro Bispo dos Santos está preso preventivamente desde fevereiro sob acusação de feminicídio contra a companheira Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos.
Segundo o Ministério Público, a jovem morreu após cair do décimo andar de um prédio na Vila Andrade, Zona Sul de São Paulo. A denúncia afirma que o caso não teria sido suicídio, mas um homicídio.
A investigação aponta que o casal teria discutido antes de retornar ao apartamento onde morava. Imagens de câmeras de segurança registraram momentos em que Santos aparece agredindo a companheira e levando-a de volta ao imóvel antes da queda.
Em depoimento, o empresário admitiu ter agredido Maria Katiane, mas negou que tenha provocado sua morte. À polícia, afirmou que ela teria ido até a sacada e se jogado.
A defesa nega qualquer envolvimento de Santos com o PCC e afirma que não há provas de participação dele em organização criminosa. O advogado também rejeita a acusação de feminicídio.
Empresa atuava em projeto de internet gratuita
A Favela Conectada foi contratada pelo Instituto Conhecer Brasil para instalar pontos de acesso à internet em comunidades da cidade de São Paulo. Segundo registros apresentados, a empresa participou da instalação de centenas de pontos de Wi-Fi e recebeu pagamentos vinculados ao projeto.
Após a repercussão das investigações, a empresa passou por alteração societária e deixou de ter Santos como sócio. O controle passou para Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, que também mudou o nome da companhia para Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda.
A Prefeitura de São Paulo afirmou que nunca teve contrato direto com a Favela Conectada e que a relação jurídica era apenas com o Instituto Conhecer Brasil. A administração municipal declarou que cabe à entidade parceira escolher e fiscalizar seus fornecedores.
O Instituto Conhecer Brasil afirmou que contratou a empresa com base em critérios técnicos e documentais e disse que encerrou a relação contratual após tomar conhecimento da investigação envolvendo o administrador da companhia.
Operação investiga conexões financeiras
As apurações fazem parte de um conjunto de investigações que analisam possíveis conexões entre empresas, contratos públicos e pessoas apontadas como integrantes do núcleo financeiro do PCC.
O MP afirma que Santos possui histórico criminal extenso e já cumpriu pena em unidades prisionais que abrigam integrantes da cúpula da facção. Levantamentos judiciais indicam que o empresário aparece em dezenas de processos, incluindo registros relacionados a crimes como roubo, extorsão mediante sequestro e feminicídio.
A defesa, porém, afirma que acusações anteriores não comprovam vínculo atual com organização criminosa e que o empresário deve responder pelos fatos dentro do devido processo legal.