Ataque ocorreu no local de trabalho, vítima relata ameaças de morte e histórico de agressões
Lívia Gennari Publicado em 09/01/2026, às 16h00
Samylly Victoria Landim, grávida de quatro meses foi agredida pelo ex-companheiro e pela mãe dele dentro do hortifruti onde trabalha, na última terça-feira (6), em Montes Claros, no Norte de Minas. A vítima,de 23 anos, afirma que o ataque aconteceu após ela cobrar o pagamento da pensão alimentícia dos dois filhos do casal, de 6 e 3 anos.
Segundo Samylly, um dia antes da agressão ela tentou contato com o ex-companheiro para cobrar os valores atrasados da pensão, mas o homem se recusou a efetuar o pagamento. Diante da situação, decidiu procurar a ex-sogra para pedir ajuda.
“Ele havia dito que não iria pagar. Conversei com um advogado, e como a mãe dele disse que tinha feito pagamento dos meses anteriores, o advogado me orientou que ela poderia fazer o pagamento atual”, relatou.
Ameaças
Contudo, a mãe do ex-companheiro de Samylly, identificada como Fabiana, não teria gostado da forma como a cobrança foi feita. De acordo com a vítima, antes de ir até o sacolão, a mulher passou na casa da mãe da vítima para confirmar se ela estava trabalhando.
Ela foi até o meu serviço para me agredir. Eles já entraram me ameaçando, disseram que se eu fizesse alguma coisa, iam me matar”, contou.
Câmeras de segurança do estabelecimento registraram o momento da agressão. Samylly afirma que ficou paralisada diante das ameaças: “Do jeito que eu estava sentada, eu fiquei, porque achei que eles estivessem armados", conta.
Durante o ataque, a ex-sogra teria iniciado as agressões com tapas. Em seguida, o ex-companheiro interveio e deu um soco no rosto da vítima. Mesmo tentando se defender, a vítima afirma que ficou com sequelas das agressões
“Meu rosto está cheio de hematomas, está todo inchado. Ele me deu um soco no rosto”, afirmou.
Histórico de agressões
A vítima relata um histórico de violência ao longo dos sete anos de relacionamento.
Já teve outras agressões. Eu já tinha feito ocorrência, mas ele sempre me ameaçava. Eu saía da cidade para ele não me matar”, desabafou.
Após o ataque, Samylly passou por exame de corpo de delito. Ela afirma que os policiais localizaram a ex-sogra na residência dela, mas não houve prisão em flagrante.
“Depois do ocorrido, ele ainda entrou em contato comigo pedindo para as pessoas pararem de ameaçar ele, por causa do vídeo. A mãe dele disse que iria me denunciar por estar expondo a imagem dela”, contou.
Os filhos
Sobre os filhos, Samylly afirma que sempre foi a principal responsável pelas crianças.
“As crianças sempre ficaram comigo. Sempre arquei com as dívidas. Mas chegou um momento em que eu não estava conseguindo cuidar de tudo sozinha, então acionei ele”, explicou.
A vítima registrou boletim de ocorrência com base na Lei Maria da Penha e está sendo acompanhada pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, com apoio jurídico da advogada Ana Paula.
Vítima incentiva denúncias
Apesar do medo, Samylly decidiu tornar o caso público como forma de encorajar outras mulheres.
Eu já passei por muitas agressões e tive muito medo de denunciar. Mas chega um momento em que ou a gente resolve, ou morremos”, afirmou.
Ela ainda deixa um recado direto para outras vítimas de violência doméstica:
“Eles estão acostumados a ficar impunes. Então eu falo para todas as mulheres: denunciem. Mesmo que a justiça seja falha, não se escondam. Eu fiquei sete anos com medo, mas hoje tive coragem — mesmo ainda com medo”.
Dados revelam avanço da violência contra a mulher
O caso de Samylly acontece em um cenário de avanço da violência doméstica no país. No Sudeste, a cidade de São Paulo registrou o maior número de casos de feminicídio em um único ano desde o início da série histórica, em abril de 2015. Quando olha-se para o estado, os números também são alarmantes: de janeiro a outubro de 2025, duas mulheres foram vítimas de tentativa de feminicídio por dia, totalizando 618 ocorrências, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP).
A gravidade do problema também é evidenciada por levantamentos nacionais. De acordo com a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado, uma em cada quatro mulheres brasileiras já sofreu algum tipo de violência doméstica ou familiar praticada por um homem.
Organizações de proteção e autoridades reforçam a importância de denúncias e medidas de proteção, lembrando que a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 atende 24 horas com apoio gratuito e sigiloso, e que delegacias especializadas são preparadas para acolher vítimas e encaminhar medidas legais.