Apuração administrativa mira decisões tomadas entre 2019 e 2023; envolvidos já são alvo de investigação criminal
Redação Publicado em 23/03/2026, às 13h20
A Controladoria-Geral da União (CGU) instaurou nesta segunda-feira (23), um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar a conduta de dois ex-integrantes do alto escalão do Banco Central, suspeitos de atuar de forma indevida em benefício do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A apuração envolve o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancáriaa, Belline Santana. O foco está em decisões e atos praticados entre 2019 e 2023, período em que ambos ocupavam cargos estratégicos na instituição.
O relator do caso envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça mencionou, em decisão recente, que os ex-servidores teriam atuado como uma espécie de consultores privados de Vorcaro, mesmo enquanto ocupavam funções públicas.
Segundo a CGU, o objetivo é avaliar possíveis irregularidades administrativas. Paralelamente, os dois já são investigados na esfera criminal. O processo disciplinar terá duração inicial de até 60 dias e pode resultar em penalidades que variam de advertência à demissão do serviço público, a depender da gravidade dos fatos apurados.
Investigação
No caso de Paulo Sérgio, as suspeitas incluem a possível simulação de operações societárias e patrimoniais. Entre os pontos analisados está uma suposta venda fictícia de uma propriedade rural para uma empresa ligada a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Já Belline Santana é investigado por indícios de irregularidades na prestação de consultoria privada. As apurações apontam ligação com o advogado Leonardo Palhares, um dos investigados na Operação Compliance Zero. A empresa dele, a Varajo Consultoria, é citada como possível intermediária para ocultar a origem de pagamentos considerados suspeitos.
As investigações seguem em curso e podem ampliar o alcance das apurações sobre a relação entre agentes públicos e interesses privados no sistema financeiro.