Jovem foi abordada por um homem após sair do metrô e desapareceu; imagens de câmeras de segurança da região ajudaram na identificação do suspeito
Lívia Gennari Publicado em 22/04/2025, às 20h14
A Polícia Civil de São Paulo está investigando o assassinato de Bruna Oliveira da Silva, de 28 anos, uma estudante que desapareceu no último dia 13, após sair da estação de metrô Corinthians-Itaquera, na Zona Leste da capital. O caso, que comoveu moradores da região e repercutiu nas redes sociais, ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (22): a polícia identificou, por meio de câmeras de segurança, um homem suspeito de seguir, abordar e matar Bruna.
Relembre o caso
Bruna foi vista pela última vez por volta das 22h20, ao sair do metrô. Segundo relatos dos familiares, ela chegou a ligar para a mãe informando que havia perdido o ônibus e que o celular estava com pouca bateria.
Pouco antes, ela havia parado em uma banca de jornal para carregar o aparelho e mandou uma mensagem ao namorado pedindo dinheiro para voltar para casa de carro por aplicativo. Depois disso, não houve mais contato. Familiares e amigos iniciaram buscas e registraram o desaparecimento. O corpo da jovem foi encontrado dois dias depois, em uma área de mata próxima à linha do trem, também na Zona Leste. O local é conhecido por ser pouco iluminado e com acesso restrito.
A investigação
Segundo investigadores, as imagens analisadas mostram um homem que aparentemente começou a seguir Bruna ainda dentro da estação. Em outras câmeras, já do lado de fora, é possível vê-lo se aproximando cada vez mais. Em determinado momento, o homem aborda a jovem, e os dois seguem por um caminho menos movimentado. Depois disso, Bruna não aparece mais nas imagens.
A polícia ainda não divulgou a identidade do suspeito, mas confirmou que está tentando localizá-lo e prendê-lo. As imagens estão sendo usadas para rastrear os passos dele antes e depois do crime, e os investigadores já trabalham com a hipótese de feminicídio.
Violência crescente
Em 2024, o estado de São Paulo registrou um número recorde de feminicídios, com 253 casos confirmados, o maior desde o início da série histórica em 2015. O aumento de 14,5% em relação a 2023, quando foram registrados 221 casos, reflete uma tendência preocupante na violência contra a mulher na região.
Esses dados indicam que, apesar dos esforços para combater a violência de gênero, os desafios persistem e exigem ações mais eficazes das autoridades e políticos.
O caso da jovem Bruna reforça o alerta sobre a violência contra mulheres e a insegurança em áreas públicas de São Paulo, principalmente durante a noite.
"Epidemia de feminicídios e ninguém faz nada", declarou uma moradora da capital que não quis ser identificada.
Quem era Bruna
Apaixonada por música, a jovem era descrita como tranquila por amigos e familiares. Dedicada aos estudos, Bruna formou-se em Turismo e cursava pós-graduação na USP. Ela deixou um filho de sete anos. Nas redes sociais, amigos lamentaram sua morte e pediram justiça.
"Ela descia algumas estações a frente da minha, estudamos no mesmo local, mesmo horário. Poderia ser qualquer uma de nós. Ainda estou muito abalada com o assassinato dela", comentou uma colega da jovem que também estuda na USP (Universidade de São Paulo).
A Polícia Civil segue investigando o caso e pede que qualquer informação sobre o paradeiro do suspeito seja repassada de forma anônima pelo Disque Denúncia (181).