Suspeita atuava em rota de tráfico de armas e drogas usada pelas duas maiores facções do país
Lívia Gennari Publicado em 04/07/2025, às 08h58
A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu na última quarta-feira (2), em Taubaté, no interior de São Paulo, Ana Lúcia Ferreira, conhecida como Ana Paraguaya. Ela é apontada como peça-chave na logística do tráfico de armas e drogas utilizada tanto pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) quanto pelo Comando Vermelho (CV), as duas maiores facções criminosas do país.
Com um histórico de envolvimento com lideranças do PCC e do Comando Vermelho, Ana mantinha vínculos com figuras de alto escalão do crime organizado. Ela foi casada com Elton Leonel Rumich da Silva, o Galã, um dos líderes do PCC na fronteira com o Paraguai, responsável por comandar o tráfico de drogas e armas para São Paulo. Entre os itens fornecidos pelos traficantes do Paraguai estão fuzis, pistolas e metralhadoras antiaéreas.
Após o término, Ana manteve relações com Fhillip da Silva Gregório, conhecido como Professor, chefe do Comando Vermelho no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Ele estava foragido desde 2018, e morreu no dia 1º de junho deste ano, vítima de um disparo na têmpora, possivelmente suicídio, segundo investigação policial.
De acordo com o delegado responsável pela investigação, Pedro Cassundé, embora Ana nunca tenha sido oficialmente integrada ao PCC, ela construiu uma rede de contatos influente no crime organizado, aproximando-se de líderes do tráfico e viabilizando operações para o Comando Vermelho e para a facção paulista.
As investigações revelaram um esquema que conectava diretamente fornecedores de armas no Mato Grosso do Sul à liderança do Comando Vermelho. Segundo a apuração, o grupo, que incluía Ana Paraguaya, teria movimentado mais de R$ 250 milhões, entre 2020 e 2022, utilizando empresas de fachada e contas bancárias em nome de laranjas. As informações vieram à tona após a apreensão de celulares e computadores que expuseram detalhes da atuação criminosa.
Ana Paraguaya será transferida para o Rio de Janeiro, onde deve responder pelos crimes ligados à organização criminosa e ao tráfico interestadual.