Documento antigo foi entregue ao consulado brasileiro e será analisado pelas autoridades
Gabriela Nogueira Publicado em 06/01/2026, às 11h57
A descoberta de um passaporte antigo de Eliza Samudio em um apartamento em Portugal voltou a colocar em evidência um dos crimes mais emblemáticos do país e provocou um impacto emocional profundo na família da vítima. Para Arlie Moura, irmão de Eliza, o surgimento do documento mexeu com o psicológico e trouxe à tona lembranças de uma história que, mesmo após mais de uma década, segue aberta no plano afetivo.
O passaporte foi encontrado no fim de 2025 em um imóvel alugado e entregue ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, que comunicou oficialmente o Itamaraty. Segundo familiares, não há dúvidas sobre a autenticidade do documento, mas ainda é cedo para qualquer conclusão sobre as circunstâncias em que ele permaneceu no local por tantos anos.
Arlie afirma que a notícia provocou uma mistura de surpresa e angústia. Embora defenda que o achado seja investigado com cuidado, ele diz não acreditar que a irmã esteja viva, versão que voltou a circular nas redes sociais após a divulgação do caso. Para ele, o mais importante agora é compreender o caminho do documento e esclarecer se houve perda, esquecimento ou outro tipo de situação que explique sua presença em Portugal.
A relação entre os irmãos sempre foi distante. Arlie conta que conviveu pouco com Eliza na infância e que perdeu contato definitivo com ela quando a jovem se mudou para São Paulo, pouco antes de desaparecer, em junho de 2010. Desde então, a família convive com a ausência de respostas completas e com o peso de um crime cujo corpo jamais foi localizado.
Eliza Samudio foi assassinada, segundo a Justiça brasileira, a mando do ex-goleiro Bruno Fernandes, então jogador do Flamengo. Ele foi condenado por homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado, além de outros crimes relacionados ao caso. A condenação também atingiu outros envolvidos, em um processo que chocou o país pela brutalidade e pela exposição pública.
O passaporte encontrado tem registro de entrada em Portugal em 2007, mas não apresenta marcação de saída. As autoridades ainda não esclareceram de que forma Eliza retornou ao Brasil. Uma das hipóteses é que ela tenha perdido o documento e obtido autorização para voltar ao país, algo comum em situações semelhantes.
Para a família, a reaparição do passaporte não muda os fatos reconhecidos pela Justiça, mas reabre feridas. Arlie diz que a expectativa agora é por respostas técnicas e responsáveis, sem alimentar especulações.