Cleide Viana não suportou os relatos de tortura do filho Luckas, que foi sequestrado e forçado a aplicar golpes em redes sociais
Manoela Cardozo Publicado em 20/02/2025, às 11h26
Cleide Viana, mãe de Luckas Viana, passou mal ao ouvir pela primeira vez os relatos do filho sobre as torturas que sofreu enquanto esteve em cárcere em Mianmar, vítima de tráfico humano e exploração de trabalho. Durante o depoimento, Luckas detalhou as agressões que sofreu após os sequestradores descobrirem que ele havia entrado em contato com um amigo para relatar sua situação.
“Me colocaram na prisão duas vezes e lá me bateram bastante. Essas aqui são marcas das algemas. A gente ficava 17 horas preso assim [ele estica os braços de forma horizontal] parado. Depois a gente sentava por cinco a oito horas”, contou Luckas.
Ao ouvir o relato, Cleide não conseguiu conter o choro e precisou ser amparada por familiares, incluindo o próprio filho. "Eu não sabia disso", disse, enquanto era retirada do ambiente por uma irmã.
Outro brasileiro resgatado da mesma situação, Phelipe de Moura Ferreira, de 26 anos, revelou que era obrigado a aplicar golpes por meio de redes sociais. Segundo ele, havia metas diárias a serem cumpridas e, caso não fossem atingidas, os sequestradores puniam as vítimas com golpes de vara de bambu e choques elétricos.
Luckas e Phelipe desembarcaram no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, por volta das 16h desta quarta-feira (19). Ao chegarem, foram conduzidos pela Polícia Federal (PF) para prestar depoimento sobre o período em que permaneceram no país asiático. O procedimento durou cerca de duas horas e meia. Os pais das vítimas foram chamados ao local para serem informados sobre o andamento da situação.
Após serem liberados pela PF, os dois reencontraram suas famílias e deram declarações à imprensa, relatando os traumas que enfrentaram e o funcionamento da rede de tráfico humano. Em seguida, deixaram o aeroporto acompanhados dos parentes, marcando o fim de uma fase de terror.