Novas concentrações de usuários surgem em bairros como Vila Campanela e Tatuapé
Marina Milani Publicado em 14/05/2025, às 08h12
No último dia 13, foi constatada a presença de pequenos grupos de usuários de drogas em diversas áreas do Centro de São Paulo, com registros especialmente nas imediações da Rua General Osório, próximo ao Terminal Princesa Isabel, e em maior número na Praça Marechal Deodoro.
Após ações que resultaram na desocupação da antiga Cracolândia, equipes passaram a monitorar a região central para entender como os dependentes químicos vêm se redistribuindo. A mudança foi notável nas proximidades da Estação da Luz, onde houve redução significativa na concentração de usuários.
Entre os pontos com maior presença identificada estão a calçada do Bom Prato na Rua General Osório, o Terminal Princesa Isabel e a Praça Marechal Deodoro. Um usuário relatou que chegou à praça na terça-feira (13) após ter permanecido na área da Estação da Luz.
Moradores da região registraram em vídeo um grupo de cerca de 20 pessoas tentando permanecer na Praça Marechal Deodoro. A presença de viaturas da Guarda Civil Metropolitana (GCM) contribuiu para inibir a formação de aglomerações. Durante a madrugada, alguns usuários ainda circularam pela área.
Comerciantes locais relataram preocupação com a segurança e relataram episódios de tensão na região. Segundo relatos, houve aumento nas abordagens e em ações de dispersão, o que gerou diferentes reações entre os moradores. Uma comerciante afirmou que "a orientação é que os usuários não permaneçam na região central", refletindo o esforço por parte das autoridades para reordenar o espaço urbano.
Entidades como a ONG Craco Resiste apontam desafios relacionados à dispersão dos usuários, destacando os impactos sobre os vínculos sociais e com serviços públicos. A dispersão geográfica não é um fenômeno recente, mas sim parte de uma dinâmica complexa que envolve saúde pública, assistência social e segurança.
Por volta das 17h, havia mais de 100 pessoas reunidas na Praça Marechal Deodoro, com presença de agentes sociais. A movimentação era constante, mas as condições dos usuários permanecem desafiadoras.
O prefeito Ricardo Nunes destacou a redução significativa no número de usuários concentrados na Rua dos Protestantes — local anteriormente criticado por entidades — e atribuiu a mudança a operações conjuntas entre o governo estadual e a prefeitura, como as realizadas na Favela do Moinho. Ele também reconheceu os avanços, mas reiterou que a questão da dependência química exige soluções contínuas e integradas.
Segundo dados atualizados, embora o chamado "fluxo" tenha diminuído na região central, novas concentrações vêm sendo registradas em pontos como Vila Campanela, Tatuapé e outros bairros. A prefeitura informa que, desde 2021, intensificou a implementação de políticas públicas voltadas ao atendimento dos dependentes, ampliando significativamente as abordagens sociais e assistenciais nos últimos meses.
Ainda assim, entidades como a Craco Resiste seguem pedindo alternativas com foco na dignidade humana e continuidade no acesso a serviços de apoio. A administração municipal afirma que seguirá trabalhando de forma integrada para oferecer acolhimento, tratamento e reintegração social.