Polícia investiga intoxicação por produto químico; laudo pericial está em elaboração para esclarecer as causas do incidente
Marina Milani Publicado em 16/02/2026, às 11h45
O viúvo da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, que morreu após passar mal depois de uma aula de natação em uma academia na Zona Leste de São Paulo, afirmou que tenta lidar com o luto sem alimentar revolta, mas diz que a rotina tem sido difícil. Em depoimento exibido pela TV Globo, ele declarou que “agradece por estar vivo”, embora sinta profundamente a ausência da esposa.
Vinicius de Oliveira, de 31 anos, também passou mal após sair da piscina e ficou internado por oito dias no Hospital Brasil, sendo sete deles na UTI. Ele recebeu alta no domingo (15). Segundo relatou, as duas famílias permanecem unidas desde o ocorrido, mas o impacto emocional é constante.
O caso aconteceu em 7 de fevereiro, durante atividade em piscina na academia C4 Gym. Imagens de segurança registraram o momento em que alunos começaram a se sentir mal após a aula. Além do casal, outras cinco pessoas tiveram sintomas e precisaram de atendimento médico, mas já receberam alta.
De acordo com a investigação conduzida pela Polícia Civil, a principal linha de apuração é de intoxicação por produto químico usado no tratamento da água. A suspeita é de que tenha havido manipulação inadequada de cloro, com possível liberação de gás tóxico no ambiente fechado da piscina. O laudo pericial ainda está em elaboração.
Em depoimento, um funcionário afirmou que realizava a limpeza do espaço seguindo orientações repassadas por mensagem. Ele não foi responsabilizado até o momento.
A academia foi interditada pela Prefeitura de São Paulo. Os três sócios do estabelecimento foram indiciados por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte. O pedido de prisão temporária foi negado pela Justiça, que aplicou medidas cautelares, como comparecimento periódico em juízo, proibição de contato com testemunhas e restrição de acesso ao entorno do local.
A defesa informou que os empresários irão cumprir as determinações judiciais e permanecerão à disposição das autoridades. Enquanto isso, o viúvo defende maior rigor na fiscalização de piscinas em academias, clubes e condomínios, e afirma que o cumprimento das normas de segurança é essencial para evitar novas ocorrências.