Em 2025, São Paulo teve 22.228 carros e 11.201 motos roubados; carros populares e motos são os principais alvos de quadrilhas na capital paulista
William Oliveira Publicado em 09/12/2025, às 08h51
A cidade de São Paulo registrou, em 2025, uma média alarmante de 138 casos diários de roubo ou furto de veículos. Levantamento do Estadão, com base em dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP), aponta que, entre janeiro e agosto, foram subtraídos 22.228 carros e 11.201 motocicletas.
Durante o mesmo período, a SSP informou a recuperação de mais de 12 mil veículos. Apesar do alto número, os dados apontam uma redução na criminalidade em comparação a 2024, com os roubos caindo 12,85% e os furtos diminuindo 6,23%. Análises recentes mostram que os crimes se concentram no meio da semana, especialmente terças, quartas e quintas-feiras, com 51% das motocicletas e 55% dos carros sendo alvo nesses dias.
Para enfrentar a situação, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana anunciou aumento no patrulhamento diário da Guarda Civil Municipal (GCM) e a instalação de 100 câmeras do programa Smart Sampa em motos da GCM e da Polícia Militar, reforçando a vigilância nas áreas mais críticas.
Especialistas alertam que muitos furtos são planejados por quadrilhas organizadas, enquanto os roubos costumam ocorrer por oportunidade. O mercado paralelo de peças e a configuração urbana da cidade favorecem a ação dos criminosos, especialmente em veículos populares com mais de cinco anos, cujas peças de reposição são mais difíceis de encontrar.
A Lei Estadual dos Desmanches, vigente desde 2014, busca combater o problema, obrigando empresas a venderem peças diretamente ao consumidor final, evitando o repasse a revendedores e tentando desarticular a cadeia criminosa.
Entre os veículos mais visados, carros brancos lideram com 6.439 registros, seguidos por prateados e pretos. Veículos com mais de 10 anos somaram 9.355 ocorrências nos primeiros oito meses de 2025. No segmento de motocicletas, a Honda CG 160 é a mais visada, seguida pela Titan e Start. Modelos com até dois anos de fabricação também aparecem entre os preferidos, totalizando cerca de 4 mil ocorrências no período.