Lourivaldo Ferreira Silva Nepomuceno, de 35 anos, morreu na manhã da última terça-feira (6) ao ficar preso entre as portas do na estação Campo Limpo
William Oliveira Publicado em 07/05/2025, às 11h46
Na manhã da última terça-feira (6), um trágico acidente na estação Campo Limpo da Linha 5-Lilás do metrô de São Paulo resultou na morte de Lourivaldo Ferreira Silva Nepomuceno, de 35 anos, que seguia para o trabalho. O incidente ocorreu quando Lourivaldo ficou preso entre as portas do trem e a plataforma, levantando uma série de questionamentos sobre as medidas de segurança no sistema metroviário.
Natural de Taboão da Serra, Lourivaldo era estudante de Educação Física e pai de três filhos. Ele completaria 36 anos no próximo domingo, data que coincidiria com o Dia das Mães. Sua rotina incluía não apenas os estudos, mas também o trabalho como repositor em um supermercado e a atuação como professor de natação em aulas particulares.
A última conversa com o pai aconteceu no domingo anterior à tragédia, quando ambos planejavam comemorar seu aniversário em família. Abalado, o pai expressou sua incredulidade: "Ele era um cara forte e esperto. Isso não entra na minha mente." A família busca respostas para entender como o acidente ocorreu.
Nas redes sociais, amigos e familiares prestaram homenagens emocionadas. Gabriel Nepomuceno, primo da vítima, destacou a generosidade de Lourivaldo: "Seu coração imenso tratava todos com educação e gentileza. Sua ausência deixará um vazio imenso em nossas vidas."
O velório de Lourivaldo está marcado para quinta-feira (8), no Cemitério da Saudade, em Taboão da Serra.
Caso em repercussão
A ViaMobilidade, concessionária que opera a Linha 5-Lilás, afirmou que não há sensores capazes de detectar a presença de passageiros entre o trem e a plataforma. Segundo a empresa, tanto as portas do trem quanto as da plataforma estavam fechadas no momento da partida.
"O trem seguiu viagem, mesmo com o homem preso, porque tanto as portas da plataforma quanto as do vagão estavam fechadas. A concessionária realiza regularmente campanhas para alertar os passageiros sobre a importância de não entrar nem sair do trem após os alarmes nem tentar segurar as portas", afirmou.
O acidente aconteceu por volta das 8h da manhã e foi registrado pela Polícia Civil como uma fatalidade acidental. Testemunhas relataram ter ouvido um barulho vindo da área de embarque e correram até o local, mas Lourivaldo já estava sem sinais vitais quando foi encontrado.
A tragédia teve repercussões imediatas sobre a segurança no transporte público. O Sindicato dos Metroviários de São Paulo classificou o caso como uma "tragédia anunciada" e criticou a gestão atual pela falta de ações efetivas para proteger os passageiros. A Agência de Transportes do Estado (Artesp) também lamentou o ocorrido e anunciou uma investigação para apurar as circunstâncias do acidente.