INVESTIGAÇÃO

Queda de braço teria sido o estopim para desaparecimento de PM na Zona Sul

O policial militar Fabrício Gomes de Santana, de 40 anos, está desaparecido desde quarta-feira (7), quando foi visitar familiares na capital paulista

Veículo foi encontrado queimado em Itapecerica da Serra - Imagem: Reprodução / TV Globo / João Netto / Arquivo pessoal

William Oliveira Publicado em 11/01/2026, às 08h00

O desaparecimento do policial militar Fabrício Gomes de Santana, de 40 anos, ganhou novos desdobramentos após depoimentos de suspeitos detidos pela polícia. Um deles afirmou, durante interrogatório, que o cabo desapareceu após uma discussão com um morador da Vila do Sol, na Zona Sul de São Paulo. O desentendimento teria começado por causa de uma aposta em uma queda de braço.

Fabrício estava de férias e havia visitado o pai e o filho, que moram nas proximidades da Avenida dos Funcionários Públicos, perto da Estrada do M’Boi Mirim. Segundo informações da TV Globo, o policial se preparava para oficializar o casamento civil na sexta-feira (9).

A discussão ocorreu enquanto Fabrício e o morador consumiam bebidas alcoólicas na garagem da casa do sogro do policial. A polícia identificou o homem envolvido como um suposto traficante de drogas.

Ainda de acordo com o relato do suspeito, após a briga ele deixou o local, enquanto Fabrício permaneceu na comunidade até a manhã seguinte. Por volta das 7h, o policial saiu dirigindo acompanhado pelo suspeito, com destino a uma padaria próxima à Escola Amélia, no Jardim Horizonte Azul.

Durante o trajeto, os dois teriam sido abordados por um homem que questionou se estavam envolvidos na confusão da noite anterior. Nervoso, Fabrício decidiu seguir até um ponto conhecido da comunidade para conversar, apesar das tentativas do suspeito para que desistisse.

Ao chegarem ao local indicado, eles teriam sido cercados por cerca de seis pessoas. Fabrício foi separado do acompanhante e questionado sobre portar armas. Após confirmar que estava armado, duas armas foram retiradas dele. A partir desse momento, segundo o depoente, ele perdeu contato visual com o policial.

O suspeito relatou ainda que permaneceu no local sob vigilância de um homem mais velho e forte por cerca de duas horas, período em que foi questionado sobre a briga e sua relação com Fabrício. Em determinado momento, um dos homens teria afirmado que o policial seria morto. Depois disso, o depoente foi liberado e informado de que Fabrício já estaria sem vida. Ao deixar o local, percebeu que o carro do policial não estava mais na região.

Outro suspeito ouvido pela polícia é o morador apontado como traficante. Ele afirmou que esteve no local onde Fabrício consumia bebidas durante a madrugada, mas negou qualquer desentendimento. Disse ser apenas usuário de drogas e alegou não saber, inicialmente, que Fabrício era policial.

Esse homem declarou que deixou o local por volta das 3h e retornou para casa ao amanhecer. Ele confirmou ter recebido uma ligação após o meio-dia questionando sobre o paradeiro do primeiro suspeito, mas negou saber onde ele estava.

Um terceiro investigado, proprietário de um GM/Corsa cinza e conhecido como “Gato Preto”, também prestou depoimento. Ele afirmou que acompanhou um conhecido até Santa Júlia para ajudar na venda de um carro e disse que ambos retornaram juntos para casa após uma breve parada em uma área de mata.

O homem admitiu que galões vazios com resquícios de gasolina encontrados em seu veículo eram de sua propriedade e usados quando ficava sem combustível. Ele negou qualquer envolvimento no desaparecimento do policial.

As investigações apontam ainda que, antes de desaparecer, Fabrício entrou em contato com o irmão e relatou um desentendimento com um traficante da comunidade, que teria ameaçado expor sua condição de policial aos moradores, colocando sua família em risco. Diante da ameaça, o PM disse que iria até uma adega para resolver a situação. Desde então, não foi mais visto.

No dia 8 de setembro, a polícia localizou o carro de Fabrício totalmente carbonizado em uma área de mata em Itapecerica da Serra. A ausência de ocupantes no veículo reforçou a suspeita de que o incêndio foi provocado para destruir provas.

A Justiça decretou a prisão temporária de três pessoas ligadas ao caso: o homem que discutiu com Fabrício na adega, um suspeito flagrado por câmeras seguindo o carro do policial e um conhecido do PM. Em um dos veículos apreendidos, a polícia encontrou galões com forte odor de combustível.

O automóvel passará por nova perícia. Paralelamente, investigadores analisam imagens de câmeras de segurança e colhem novos depoimentos para reconstituir os últimos passos de Fabrício entre a comunidade e os locais relacionados ao incêndio do carro.

As buscas contam com o apoio do Departamento PM Vítima, da Corregedoria da Polícia Militar, além do emprego de cães farejadores especializados. Informações que possam contribuir com as investigações podem ser repassadas de forma anônima ao Disque-Denúncia, pelo telefone 181.

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