Policiais da tropa de elite são suspeitos de agir como informantes do PCC

Dois policiais militares da Rota estão sendo investigados por suposto vazamento de informações para a facção Primeiro Comando da Capital

A investigação se concentra no assassinato de Vinicius Gritzbach, delator do PCC, e envolve a atuação de policiais corruptos. - Imagem: Reprodução | Redes Sociais

Marina Milani Publicado em 31/01/2025, às 09h36

Entre 2021 e 2022, dois policiais militares atuaram na Agência de Inteligência das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), uma unidade considerada de elite dentro da Polícia Militar de São Paulo. Atualmente, eles estão sob investigação pela Corregedoria e pelo Centro de Inteligência da Polícia Militar (CIPM), suspeitos de vazamento de informações relacionadas a investigações criminais para membros da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

A investigação faz parte de um esforço maior para elucidar o assassinato de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, que era delator do PCC e denunciava policiais corruptos. A GloboNews reportou que os suspeitos, ambos praças da ativa, estão sendo investigados por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM) e trabalhavam na Rota durante o período mencionado.

O suposto vazamento aconteceu em um contexto de intensa disputa interna dentro do PCC, após o assassinato do narcotraficante Anselmo Bicheli Santa Fausta, conhecido como Cara Preta, em dezembro de 2021, no bairro do Tatuapé, na Zona Leste da capital paulista. Gritzbach, que era réu acusado de ser o mandante desse duplo homicídio, sempre negou sua participação no crime.

Os dois policiais investigados eram subordinados ao capitão Raphael Alves Mendonça, que foi exonerado nesta quarta-feira (29) pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). Mendonça ocupava uma posição na Assessoria Militar do Gabinete do Prefeito, responsável pela segurança pessoal do mandatário e sua família.

Embora também esteja sob investigação por suposta participação em uma rede de informantes a serviço do PCC dentro da corporação, não foram encontradas evidências concretas até o momento que impliquem diretamente o capitão no vazamento. Ele permanece em liberdade.

Os indícios contra os policiais afastados são considerados mais robustos pelos investigadores; um deles já se encontra detido.

A Corregedoria da Polícia Militar divulgou uma nota afirmando que está conduzindo as investigações com rigor e que "não tolerará desvios de conduta" entre os membros da corporação. Desde o início do ano, 17 policiais militares foram detidos como parte das investigações relacionadas ao caso Gritzbach.

Vinícius Gritzbach foi assassinado em novembro do ano passado no Aeroporto Internacional de Guarulhos. O PM Denis Antonio Martins é apontado como o autor dos disparos fatais contra ele. Outros 14 policiais envolvidos eram parte da equipe responsável pela segurança pessoal do delator.

A investigação contra os policiais militares começou após uma denúncia anônima recebida em março de 2024, alertando sobre o vazamento de informações sigilosas que beneficiavam criminosos ligados ao PCC. Os relatos indicavam que informações estratégicas estavam sendo fornecidas por membros ativos e aposentados da corporação.

Entre os beneficiários dos vazamentos estava Gritzbach, que utilizava serviços de segurança prestados por PMs, evidenciando a interligação entre agentes da lei e atividades criminosas. O inquérito inicial sobre os vazamentos foi crucial para levar à exoneração do capitão Raphael Alves Mendonça.

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