Inquérito na USP

Polícia Civil investiga estudantes da USP após ocupação da reitoria e ação da PM

Celulares e objetos pessoais foram apreendidos durante desocupação no campus do Butantã; estudantes denunciam violência policial

Comissão de Moderação e Diálogo Institucional é criada pela reitoria da USP para discutir as demandas dos estudantes após a ocupação - Imagem: Divulgação/Guilherme Farpa

Letícia Sales Publicado em 15/05/2026, às 09h45

A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar a atuação de estudantes da Universidade de São Paulo durante a ocupação do prédio da reitoria, realizada na semana passada no campus do Butantã, na zona oeste da capital paulista.

A apuração ocorre após a desocupação do local feita pela Polícia Militar na madrugada do último domingo (10). Segundo relatos de estudantes, a ação policial contou com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, spray de pimenta e uso de cassetetes para retirar os manifestantes do prédio.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), objetos pessoais recolhidos durante a operação, incluindo aparelhos celulares, foram encaminhados para perícia no Instituto de Criminalística. O caso é conduzido pelo 93º Distrito Policial, no Jaguaré, e foi registrado como dano ao patrimônio público.

Os investigadores solicitaram a quebra de sigilo telefônico dos celulares apreendidos com o objetivo de identificar possíveis crimes, como invasão mediante violência, além de reunir provas sobre os danos causados ao edifício da universidade.

A legislação prevê pena de seis meses a três anos de detenção para casos de dano ao patrimônio público, além de multa. A punição pode ser ampliada caso seja comprovado o uso de violência.

A ocupação da reitoria começou na quinta-feira (7), organizada por estudantes ligados ao Diretório Central dos Estudantes (DCE). O movimento teve início há mais de um mês em apoio à greve de servidores da universidade, que protestavam contra uma gratificação concedida exclusivamente a professores.

Mesmo após os funcionários encerrarem a paralisação, os estudantes decidiram manter a mobilização para cobrar demandas próprias, principalmente relacionadas à permanência estudantil.

Entre as principais reivindicações está o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). Atualmente, os auxílios variam entre R$ 335 para moradores da residência estudantil e R$ 885 no auxílio integral.

A reitoria propôs correção baseada no índice IPC-FIPE, elevando os benefícios para R$ 340 e R$ 912, respectivamente. Os estudantes, porém, consideram o reajuste insuficiente e defendem que o valor seja equiparado ao salário mínimo paulista, atualmente em R$ 1.804.

Os manifestantes também criticam problemas estruturais dentro da universidade, como a situação do restaurante universitário, conhecido como bandejão, as condições da moradia estudantil e o funcionamento do Hospital Universitário (HU), que, segundo eles, perdeu cerca de 30% do quadro de funcionários na última década.

Na quarta-feira (13), a reitoria anunciou a criação da Comissão de Moderação e Diálogo Institucional para discutir as reivindicações estudantis. Em comunicado, a universidade informou que profissionais especializados em mediação e resolução de conflitos participarão das conversas.

Até o momento, a USP e o DCE não comentaram oficialmente o inquérito policial.

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