Resgate histórico

Mulher é resgatada após quase 50 anos em condição análoga à escravidão no interior de São Paulo

Trabalhadora doméstica começou a trabalhar aos 12 anos para a mesma família e viveu décadas sem autonomia, descanso regular ou independência financeira

Após o resgate, a mulher começou a receber assistência, enquanto as autoridades tomam medidas judiciais contra a exploração - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 15/06/2026, às 12h15

Uma mulher de 62 anos foi resgatada em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, após passar quase cinco décadas submetida a condições análogas à escravidão. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), ela trabalhava para a mesma família desde os 12 anos de idade.

Segundo as autoridades, a vítima foi retirada da escola ainda na infância e permaneceu analfabeta. Desde 1977, exerceu atividades domésticas diariamente, sem acesso a férias, folgas regulares ou períodos adequados de descanso.

O resgate ocorreu após denúncias registradas por meio do Sistema Ipê, canal utilizado para comunicar casos de trabalho análogo à escravidão. A operação contou com a participação de auditores-fiscais do trabalho e apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT).

As investigações apontaram que, embora a trabalhadora tenha tido a carteira assinada em determinado período e recebido valores apresentados como salário, ela não possuía controle sobre o próprio dinheiro. Após se aposentar, em 2015, continuou prestando serviços à família sem qualquer remuneração.

Durante a fiscalização, os agentes constataram que a mulher vivia praticamente isolada do convívio social e familiar. As raras visitas a parentes aconteciam por períodos curtos e, segundo os órgãos responsáveis pela investigação, eram acompanhadas e monitoradas pela empregadora.

A situação se agravou nos últimos anos, quando a trabalhadora passou a dedicar-se integralmente aos cuidados da patroa, uma idosa acamada. Conforme relataram os auditores-fiscais, a vítima era submetida a mecanismos de pressão psicológica que reforçavam sua permanência no local.

Segundo a fiscalização, a mulher acreditava que a empregadora poderia morrer caso ela deixasse a residência, o que contribuiu para o longo período de submissão e isolamento.

Após o resgate, a vítima passou a receber assistência dos órgãos responsáveis, enquanto o caso segue sendo acompanhado pelas autoridades competentes para a adoção das medidas trabalhistas e judiciais cabíveis.

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