Arquivamento

MP-SP pede arquivamento do caso "Barbie Humana" e conclui que morte foi acidental

Novos laudos periciais descartam crime e apontam infarto causado por combinação de cocaína e álcool como causa da morte da influenciadora Bárbara Jankavski Marquez

Bárbara, conhecida como 'Barbie Humana', tinha mais de 400 mil seguidores e era famosa por seus conteúdos sobre estética e procedimentos corporais - Imagem: Reprodução/Instagram

Letícia Sales Publicado em 07/07/2026, às 08h30

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou o arquivamento do inquérito que investigava a morte da influenciadora digital Bárbara Jankavski Marquez, a "Barbie Humana", encontrada sem vida em 2 de novembro de 2025, na Zona Oeste da capital paulista. Segundo a Promotoria, novos laudos periciais confirmaram que não houve crime e que a morte ocorreu de forma acidental, por intoxicação decorrente do uso de drogas.

O pedido foi protocolado em 28 de junho de 2026 e agora depende de análise da Justiça. Caso o Judiciário concorde, o caso será encerrado; se houver discordância, a decisão seguirá para revisão interna da Procuradoria-Geral do MP.

O que aconteceu

Bárbara, de 31 anos, foi encontrada morta pela Polícia Militar na casa do defensor público Renato de Vitto, de 51 anos, no bairro da Lapa. A influenciadora havia sido contratada por ele como garota de programa, e os dois mantiveram relações sexuais antes de sua morte. Também estavam no local outras duas pessoas, amigas do defensor.

Ao longo da noite, o grupo consumiu cocaína, cachaça, cerveja e energético. Bárbara acabou dormindo e não acordou mais. Renato chegou a acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas a equipe médica apenas constatou o óbito ao chegar ao local.

O corpo foi encontrado seminu e com marcas, incluindo uma lesão em um dos olhos — detalhe que alimentou suspeitas iniciais de violência. Renato chegou a ser investigado pela Polícia Civil e posteriormente se afastou da Defensoria Pública, alegando abalo emocional decorrente do episódio.

O que mudou com a nova perícia

A conclusão do MP se apoia principalmente no laudo necroscópico complementar, produzido após a exumação do corpo da influenciadora. O exame descartou asfixia e qualquer forma de violência física, como estrangulamento. Segundo os peritos, o ferimento no olho foi provocado por uma queda, mas não teve relação com a causa da morte.

De acordo com a perícia, Bárbara sofreu um infarto fulminante causado por intoxicação aguda por "cocaetileno", substância resultante da mistura entre cocaína e álcool no organismo. Os especialistas explicam que o composto é mais agressivo ao coração e ao sistema nervoso do que a cocaína isolada, podendo desencadear arritmias, parada cardíaca e morte súbita.

O Ministério Público destacou ainda que "os exames não identificaram lesões traumáticas capazes de causar a morte nem sinais compatíveis com estrangulamento ou compressão do pescoço" e que nenhuma testemunha relatou brigas ou agressões momentos antes do ocorrido.

Caso já havia saído do Tribunal do Júri

Em 12 de junho, antes mesmo do pedido de arquivamento, a Justiça já havia retirado o processo do Tribunal do Júri, atendendo a um pedido do próprio MP, que reconheceu não existirem indícios de homicídio doloso. Com isso, a investigação passou a tramitar em uma vara criminal comum.

Na petição mais recente, a Promotoria afirma que a prova pericial é conclusiva ao afastar a hipótese de crime contra a vida e que não há elementos para embasar denúncia por qualquer outro delito. Por isso, defende o arquivamento por ausência de justa causa — ressalvando que o inquérito pode ser reaberto caso surjam novas provas.

O caso passou por diferentes fases de apuração, começando no 7º Distrito Policial da Lapa e sendo posteriormente transferido ao Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que também não identificou indícios de crime. Um laudo sobre as câmeras corporais dos policiais que atenderam a ocorrência chegou a apontar contradições nos relatos de testemunhas, mas isso não foi considerado suficiente para sustentar a tese de homicídio.

Quem era a "Barbie Humana"

Bárbara construiu sua popularidade nas redes sociais compartilhando conteúdos sobre estética corporal e procedimentos estéticos, cultivando uma aparência inspirada em bonecas — o que lhe rendeu os apelidos de "Barbie Humana" e "Boneca Desumana". Ao todo, somava mais de 400 mil seguidores entre Instagram e TikTok.

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