A manifestação ocorre em resposta a tarifas dos EUA e investigações comerciais, refletindo a luta pela autonomia do Brasil no cenário global
Marina Milani Publicado em 26/07/2025, às 13h09
Mais de 200 organizações assinaram uma carta em apoio à soberania nacional durante um ato realizado no Largo São Francisco, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). O evento ocorreu nesta sexta-feira (25), com a presença de líderes do direito, representantes da sociedade civil e estudantes, que se uniram sob os gritos de "não à tirania" e "soberania não se negocia".
A manifestação se desenrolou em um contexto de tensão entre o governo brasileiro e a administração de Donald Trump. Recentemente, o presidente dos Estados Unidos anunciou uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras, como resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Essa medida está programada para entrar em vigor no dia 1° de agosto.
Em meio a essa situação, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA também iniciou uma investigação comercial contra o Brasil, com foco em aspectos como o sistema de pagamentos PIX e o comércio na região da 25 de Março.
Durante o ato, o diretor da Faculdade de Direito da USP, Celso Fernandes Campilongo, destacou a importância da luta pela soberania nacional. "O que está em jogo é uma ordem mundial democrática que respeite as instituições e o direito internacional. A ameaça não diz respeito apenas ao Brasil, mas à legalidade internacional como um todo", afirmou Campilongo.
O diretor também expressou preocupação com a "intromissão estrangeira" dos Estados Unidos nas questões internas do país. Cartazes levantados pelos manifestantes continham mensagens como "Brasil, quem te ama não te USA", e "o povo unido jamais será vencido".
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloísio Mercadante, reforçou a necessidade de solidariedade ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes, que têm sido alvo frequente de ataques. Em entrevista à TV Globo, Mercadante declarou: "Quem viveu a ditadura sabe a importância de enfrentar golpes para preservar a liberdade democrática".
Oscar Vilhena, advogado e membro do Comitê de Defesa da Democracia, comentou que as ações do governo americano visam desestabilizar interesses fundamentais para os brasileiros. "Devemos estar vigilantes e proteger nossos interesses diante dessas ameaças", acrescentou.
O Largo São Francisco já havia sido palco de manifestações em defesa da democracia e do sistema eleitoral brasileiro durante as eleições acirradas entre Jair Bolsonaro e Lula em agosto de 2022.
A carta divulgada durante o ato enfatiza que a soberania é um direito essencial que um povo possui sobre si mesmo. O documento destaca que o Brasil deve governar seu próprio destino e promover igualdade nas relações internacionais, repudiando intervenções externas. Os organizadores do ato ressaltaram que a defesa da soberania é inegociável e necessária para garantir um Estado Democrático de Direito.