Com o aumento das apostas online, o programa busca minimizar os danos emocionais e financeiros causados pela ludopatia
William Oliveira Publicado em 29/08/2025, às 08h45
O estado de São Paulo se tornou pioneiro no Brasil ao implementar um programa oficial para o tratamento da ludopatia, o vício em jogos de azar. A nova legislação, sancionada recentemente, determina que os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) sejam capacitados para atender indivíduos que enfrentam esse transtorno, que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pode afetar até 3 milhões de brasileiros.
A crescente popularidade das apostas online tem contribuído para o aumento do problema. De acordo com o Ministério da Fazenda, somente no primeiro semestre de 2025, mais de 17,5 milhões de pessoas participaram de apostas digitais, com gasto médio de R$ 164 por mês. O psiquiatra Gabriel Okuda explica que a experiência oferecida por essas plataformas, marcada por apelos visuais e estímulos rápidos, favorece o desenvolvimento da dependência.
Especialistas ressaltam que a ludopatia tem características semelhantes às dependências químicas. O aumento da dopamina no cérebro gera intensa sensação de prazer, o que dificulta a interrupção das apostas, mesmo diante de perdas financeiras severas.
No setor privado, a busca por tratamento cresce rapidamente. Lúcio Mauro, proprietário de uma clínica na Grande São Paulo, afirma que a procura triplicou. “Os pacientes chegam destruídos emocional, financeira e psicologicamente”, disse.
O novo programa nos CAPS pretende minimizar esses danos por meio da padronização do atendimento em todo o estado.
O psiquiatra Okuda reforça: “Quanto antes o transtorno é identificado, mais rápido evitamos estragos na vida do paciente e da família”.
Hoje, a ludopatia ocupa o terceiro lugar entre os vícios mais comuns no Brasil, ficando atrás apenas do álcool e do tabaco. Com a nova política pública, São Paulo busca oferecer esperança e um caminho de recuperação para quem enfrenta esse transtorno.