Processo vai ouvir 40 testemunhas antes de juiz decidir se policial militar irá a júri popular; acusado sustenta que a vítima tirou a própria vida
Letícia Sales Publicado em 29/06/2026, às 12h12
Teve início nesta segunda-feira (29) a audiência de instrução do processo que apura a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. O principal investigado é o marido da vítima, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente por suspeita de feminicídio e fraude processual.
Gisele foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro, com um disparo na cabeça, dentro do apartamento onde vivia com o companheiro, no bairro do Brás, região central de São Paulo. O oficial, no entanto, nega o crime e afirma que a esposa cometeu suicídio.
A audiência acontece na 5ª Vara do Júri do Fórum Criminal da Barra Funda e deverá se estender por cinco dias. Durante esse período, a Justiça pretende ouvir 40 testemunhas, entre pessoas indicadas pela acusação e pela defesa.
A primeira sessão foi realizada de forma virtual devido ao jogo da Seleção Brasileira pela Copa do Mundo. As demais audiências estão previstas para ocorrer presencialmente.
Nesta etapa do processo são reunidas as provas que servirão de base para a decisão judicial. Após os depoimentos das testemunhas de acusação e de defesa, o tenente-coronel deverá ser interrogado na próxima sexta-feira (3).
Concluída a fase de instrução, caberá ao juiz decidir se Geraldo Leite Rosa Neto será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Em abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) definiu que o caso deve tramitar na Justiça comum, por entender que o crime investigado não possui natureza militar. O oficial permanece preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital.