A Justiça de São Paulo irá decidir se Geovanna Proque da Silva, de 21, será levada a júri popular por atropelar e matar seu namorado e uma amiga em dezembro
William Oliveira Publicado em 04/02/2026, às 07h40 - Atualizado às 08h11
A Justiça de São Paulo deve decidir, a partir do próximo mês, se a universitária acusada de perseguir, atropelar e matar o namorado e uma amiga dele será levada a júri popular. O crime, motivado por ciúmes, ocorreu no fim de dezembro do ano passado, na Zona Sul da capital paulista, e foi registrado por câmeras de segurança.
As vítimas, Raphael Canuto da Costa, de 21 anos, e Joyce Correa da Silva, de 19, estavam em uma motocicleta quando foram atingidas por trás pelo carro conduzido por Geovanna Proque da Silva, de 21, que está presa preventivamente.
O atropelamento ocorreu em 28 de dezembro, na Rua Professor Leitão da Cunha, no bairro Parque Regina. As imagens da ocorrência circularam amplamente nas redes sociais e ganharam repercussão nacional.
Geovanna, estudante de veterinária, responde por duplo homicídio doloso, triplamente qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Ela também é ré por lesão corporal culposa, após ferir um pedestre que passava pelo local e sobreviveu.
A audiência de instrução está marcada para 31 de março, às 13h30, no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste. Nessa fase, a Justiça irá avaliar se há indícios suficientes para que a ré seja julgada pelo Tribunal do Júri. A juíza responsável pelo caso é Isadora Botti Beraldo Moro, da 5ª Vara do Júri.
Caso a magistrada decida pela pronúncia, Geovanna será levada a julgamento popular. A decisão pode ser proferida no mesmo dia ou em data posterior. Se o entendimento for diferente, o processo pode resultar em impronúncia ou absolvição sumária.
Durante a audiência, serão ouvidas inicialmente as testemunhas de acusação, seguidas pelas de defesa e, ao final, ocorrerá o interrogatório da acusada. Outras sessões poderão ser marcadas, se necessário.
Segundo o Ministério Público (MP), o crime foi motivado por “ciúme doentio”. Horas antes do atropelamento, Geovanna teria enviado mensagens ameaçadoras ao namorado por WhatsApp, demonstrando inconformismo por não estar presente em um churrasco onde havia mulheres desconhecidas por ela.
Nas mensagens, a jovem exigia que as mulheres deixassem o local “por bem ou por mal” e afirmava que, se isso não ocorresse, iria até lá “quebrar ele e tudo”. As conversas integram o inquérito policial.
Ainda de acordo com a denúncia, após ir à casa do namorado acompanhada da madrasta e insistir em discutir, Raphael decidiu sair de motocicleta. Ele passou em uma adega próxima e deu carona à amiga Joyce. Pouco depois, Geovanna deixou o local de carro, perseguiu a motocicleta em alta velocidade e atropelou os dois.
Testemunhas relataram que, após o atropelamento, a acusada teria afirmado: “vai socorrer seu amigo e a vagabunda que eu acabei de matar”.
Raphael e Joyce eram amigos e trabalhavam juntos em um restaurante. Ele conduzia a motocicleta e ela estava na garupa. Com o impacto, os dois foram arremessados a cerca de 30 metros e morreram no local, próximo à churrascaria onde Raphael atuava como gerente.
O Ministério Público também pediu que, em caso de condenação, a ré seja condenada ao pagamento de R$ 200 mil em indenização, sendo R$ 100 mil destinados a cada família das vítimas.
Geovanna foi presa em flagrante pela Polícia Militar após colidir o carro com dois veículos estacionados e um poste. Ela foi encontrada desorientada em uma via próxima e retirada do local após moradores ameaçarem linchá-la.
Aos policiais, a jovem afirmou informalmente que havia ingerido antidepressivos, mas disse ter consciência de seus atos. No hospital, declarou não se lembrar do ocorrido e relatou fazer uso de medicamentos contra depressão desde a adolescência.
Na delegacia, ela permaneceu em silêncio durante o interrogatório. A polícia aguarda os resultados dos exames toxicológicos. Em depoimento, a madrasta afirmou que pediu insistentemente para que a jovem parasse o veículo durante a perseguição.
Atualmente, Geovanna está detida na Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte de São Paulo, conforme informou a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). O advogado das famílias das vítimas, Fábio Gomes da Costa, afirmou que a expectativa é de que todas as testemunhas compareçam às audiências e sejam ouvidas.