Ruth Floriano foi sentenciada a 40 anos e 10 meses de prisão após confessar o assassinato brutal de sua filha, Alany, de apenas 9 anos
William Oliveira Publicado em 30/07/2025, às 11h33
A Justiça de São Paulo condenou, nesta semana, Ruth Floriano a 40 anos e 10 meses de prisão em regime fechado pelo assassinato brutal de sua filha, Alany Izilda Floriano Silva, de apenas 9 anos. O crime ocorreu em agosto de 2023 e chocou o país pela crueldade envolvida.
O júri popular, realizado na segunda-feira (28), considerou Ruth culpada por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A pena foi agravada em dois terços com base na Lei Henry Borel, que torna mais severas as punições para homicídios contra menores de 14 anos, classificando-os como crimes hediondos.
Segundo o Ministério Público, Ruth confessou ter premeditado o crime, alegando incômodo com a insistência da filha em não aceitar a separação dos pais. Alany havia passado um período com uma tia em Atibaia, mas voltou a morar com a mãe na capital, mesmo diante da falta de afeto entre as duas.
Relatos apontam que Ruth usou entorpecentes antes do assassinato. Entre os dias 8 e 9 de agosto de 2023, ela atacou a criança com uma faca, desmembrou o corpo e guardou os restos mortais em sacos e caixas térmicas dentro da geladeira, onde permaneceram por mais de duas semanas.
Descoberta macabra
Após mudar-se para outro imóvel, a acusada levou a geladeira embalada, sem jamais abri-la. O comportamento levantou suspeitas entre familiares. A mãe do então namorado de Ruth, ao abrir o eletrodoméstico, encontrou os restos mortais da criança e acionou a polícia.
Ruth foi presa em flagrante pela Polícia Militar e posteriormente julgada por homicídio doloso qualificado e ocultação de cadáver. A sentença considerou a relação de parentesco como fator agravante.
Frieza e ausência de remorso
Durante o processo, o promotor Daniel Dallarosa destacou que a ré apresentou traços de psicopatia, com comportamento marcado pela frieza, ausência de empatia e desprezo pelas normas sociais. Segundo ele, esse perfil não isenta a responsabilidade penal, tampouco serve como atenuante.
A Lei Henry Borel, usada para embasar o aumento da pena, foi criada em memória do menino assassinado em 2021 no Rio de Janeiro, e tem como objetivo proteger crianças vítimas de violência doméstica.