A Prefeitura de São Paulo intensificou a segurança com 200 agentes da GCM atuando em pontos críticos e dentro dos ônibus
Marina Milani Publicado em 26/07/2025, às 10h22
Na tarde desta sexta-feira (25), um indivíduo foi preso sob suspeita de ter arremessado um bloco de concreto contra o para-brisa de um ônibus na Zona Sul de São Paulo, incidente que resultou na total destruição do vidro. O ataque ocorreu na Avenida Cupecê, nas proximidades da Avenida Rodrigues Montemor, e foi registrado por câmeras de segurança.
O vídeo capturado mostra o coletivo da linha 5178-10 estacionado em um ponto quando o homem, correndo pela calçada, se aproxima. Ele se apodera de um pedaço de concreto solto, quebra-o em partes menores e arremessa um dos blocos em direção ao ônibus antes de deixar rapidamente a cena.
A Secretaria da Segurança Pública informou que agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) conseguiram identificar o suspeito com base nas imagens das câmeras e realizaram sua detenção. O homem foi conduzido à delegacia, onde o caso continua sendo investigado.
Desde junho deste ano, a cidade de São Paulo e sua região metropolitana têm enfrentado uma onda alarmante de ataques a veículos coletivos, com mais de 800 incidentes registrados até o momento. Apenas na capital, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans relataram 549 ônibus depredados, sendo que dois desses ataques ocorreram na quinta-feira (24) e mais dois nesta sexta-feira (25).
Para intensificar a segurança no transporte público municipal, a Prefeitura de São Paulo anunciou que 200 agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) passaram a atuar nas ruas a partir desta sexta-feira. Os agentes estarão presentes dentro dos ônibus e em locais identificados como pontos críticos para ataques. Além disso, eles oferecerão apoio durante as saídas das garagens e ao longo das rotas, que não foram divulgadas por questões estratégicas.
Com o intuito de aumentar ainda mais a proteção nas linhas mais afetadas, as autoridades municipais estão em diálogo com a Polícia Militar para considerar a mobilização de policiais da Operação Delegada — programa que permite que policiais atuem em dias de folga prestando serviços à prefeitura mediante remuneração adicional.
Além da prisão do suspeito desta sexta-feira, outras 17 pessoas já foram detidas por envolvimento em ataques semelhantes a ônibus. A polícia ainda investiga as motivações por trás desses atos violentos, com uma das teorias sugerindo disputas internas dentro do sindicato dos trabalhadores da categoria.
Dentre os detidos está Edson Campolongo, um servidor público com mais de 30 anos como motorista concursado da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), que foi demitido após sua prisão. Ele é acusado de ser responsável por pelo menos 17 ataques e utilizava um carro oficial da empresa durante os incidentes. A movimentação deste veículo com a logomarca da CDHU foi crucial para as investigações.
Imagens registradas em circuitos de segurança mostraram o carro branco Virtus utilizado por Edson nos locais dos ataques no ABC Paulista. O irmão dele também foi preso sob acusação de participação nos crimes. A reportagem está buscando contato com as defesas dos acusados.