Tarifas

Governador de SP reúne empresários para discutir impacto das novas tarifas dos EUA

Reuniões federais também discutem estratégias para enfrentar o aumento tarifário anunciado por Donald Trump

Reuniões federais também discutem estratégias para enfrentar o aumento tarifário anunciado por Donald Trump - Imagem: Reprodução / Marcelo Camargo / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 15/07/2025, às 17h21

Na manhã desta terça-feira (15), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, representando o partido Republicanos, promoveu uma reunião com aproximadamente 20 empresários de setores variados, incluindo café, carne, metalurgia, laranja e madeireira. O objetivo do encontro foi avaliar as consequências econômicas resultantes das novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos.

As medidas tarifárias propostas por Donald Trump devem resultar em perdas significativas para a economia paulista, sendo estimado que o Produto Interno Bruto (PIB) do estado sofra uma redução de 0,13%, o que equivale a cerca de R$4,46 bilhões. Este cenário é considerado crítico, uma vez que São Paulo deve enfrentar a maior perda em termos absolutos entre todos os estados brasileiros.

O evento, que teve início por volta das 10h e se prolongou por uma hora e meia em um formato fechado ao público, também contou com a presença do encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar. Apesar da relevância da reunião, o Palácio dos Bandeirantes não divulgou detalhes sobre os participantes ou as temáticas abordadas durante o encontro.

Dentre os presentes, destacou-se a figura de Paulo Skaf, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e também membro do Republicanos. Skaf foi instrumental em convocar seus colegas do setor privado para participar da discussão acerca dos impactos diretos que as tarifas terão na indústria e nas exportações paulistas.

Em declarações posteriores à reunião, Skaf enfatizou a importância de adotar uma postura diplomática para mitigar os efeitos adversos das tarifas norte-americanas. "É essencial que todos os esforços sejam direcionados para negociações e que o diálogo prevaleça em defesa da competitividade da indústria brasileira", afirmou.

Os representantes do governo estadual presentes foram:

Tarcísio de Freitas - Governador
Arthur Lima - Secretário-Chefe da Casa Civil
Jorge Lima - Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico
Do lado americano, participaram:

Gabriel Escobar - Encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA no Brasil
Natalia Arenas - Chefe Adjunta da Seção Político-Econômica da Embaixada
Benjamin Wohlauer - Cônsul-Geral dos EUA em São Paulo
A lista de empresários incluía representantes de diversas associações e empresas como CIESP, ABIEC e Minerva Foods.

Enquanto isso, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) utilizou suas redes sociais para criticar a postura do governador Tarcísio. O parlamentar sugere que se estabeleça uma anistia ampla às tarifas de 50% aplicadas aos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos.

No âmbito federal, outras reuniões ocorreram no mesmo dia sob a coordenação do vice-presidente Geraldo Alckmin. Estas reuniões visaram discutir as estratégias brasileiras frente ao aumento tarifário anunciado por Trump.

A nova tarifa de 50%, que entrará em vigor a partir de 1º de agosto, abrange todos os produtos brasileiros destinados aos Estados Unidos. O governo brasileiro já manifestou sua insatisfação com a medida, considerando-a uma retaliação política em resposta a críticas direcionadas ao Supremo Tribunal Federal e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Um estudo realizado pelo Núcleo de Estudos em Modelagem Econômica e Ambiental (Nemea-UFMG) aponta que as perdas econômicas em São Paulo podem incluir uma queda de 0,73% no PIB agrícola, além de reduções na indústria extrativa (0,12%) e na indústria de transformação (0,31%). A indústria metalúrgica é particularmente vulnerável devido à taxação sobre aço e alumínio, enquanto o cultivo da laranja pode sofrer impactos severos devido à sua relevância nas exportações para os Estados Unidos.

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