ESCÂNDALO

Gerentes do Santander usam documentos falsos em empréstimo “fake” de R$ 4 milhões

Um dos maiores bancos do país está no centro de um escândalo que quebrou uma empresa

Banco Santander - Imagem: Divulgação

Jair Viana Publicado em 29/07/2025, às 08h45

Um esquema criminoso orquestrado dentro de uma agência do Santander destruiu a empresa Interceptor e levou seu proprietário à falência. Tudo começou quando o empresário, em busca de financiamento, foi abordado por uma mulher que se apresentava como “potencial sócia” e alegava ter contatos privilegiados no banco. Na agência, o gerente-adjunto Otávio Drummond e outros funcionários prometeram agilidade. Diante da negativa de crédito, o cliente desistiu do pedido. Dois meses depois, foi surpreendido com execuções judiciais cobrando empréstimos que jamais solicitou.

A investigação revelou uma fraude elaborada: a suposta sócia fazia parte do grupo criminoso “The Center of Cepto”, investigado em diversos estados. Em conluio com os funcionários Otávio Drummond e Edson Ogata, ela falsificou a assinatura do empresário em contratos de empréstimo e ordens de transferência (TEDs), desviando R$ 4 milhões em nome da Interceptor. Todos os documentos foram assinados dentro da agência. Laudos periciais comprovaram a falsificação — inclusive o perito contratado pelo próprio Santander confirmou a fraude.

Na Justiça, no entanto, o caso se desfez. Otávio Drummond desapareceu e nunca foi intimado, escapando de qualquer responsabilização criminal. Outro funcionário, demitido em função do ocorrido, Edson Ogata, confessou à polícia ter agido “sob ordens superiores”. No processo cível, o Santander optou por não recorrer da sentença. O juiz reconheceu a falsificação, mas negou indenização por danos morais, alegando que a destruição da empresa — que perdeu licenças comerciais e teve um helicóptero de R$ 1,5 milhão penhorado — não configurou “sofrimento psíquico relevante”.

O empresário lida com as consequências: a Interceptor faliu, e ele hoje trabalha como motorista de aplicativo. Seu advogado denuncia a omissão do banco: “A fraude nasceu dentro das paredes do Santander. Eles ignoram a Súmula 479 do STJ, que obriga instituições financeiras a responder por fraudes em operações bancárias, mesmo quando cometidas por terceiros”.

O caso não é isolado. A Polícia Federal já prendeu 15 suspeitos em Minas Gerais, incluindo quatro gerentes, por fraude semelhante — o prejuízo estimado é de R$ 20 milhões. Tribunais reiteram que fraudes são “risco da atividade bancária”, mas o Santander segue sem indenizar a vítima ou se manifestar publicamente.

“Usaram meu nome, minha empresa, minha vida. E o banco? Age como se nada tivesse acontecido”, desabafa o empresário. A reportagem tentou contato com o Santander, que não respondeu. O processo segue em fase de revisão judicial.

Outro lado

Procurado, o Santander enviou a seguinte nota:

“O Santander informa que a decisão judicial proferida nos autos do processo apenas declarou inexigível o contrato do empréstimo. Considerando que o valor mutuado nunca pertenceu à empresa que ajuizou a demanda, a decisão judicial acertadamente reconheceu que não há dano material a ser indenizado.”

A reportagem também procurou o Banco Central para esclarecimentos, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

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