Manifestação escalou após a Reitoria rejeitar novas negociações sobre auxílio estudantil; PM foi acionada durante ocupação do prédio.
Redação Publicado em 08/05/2026, às 10h28
A crise entre estudantes e a administração da Universidade de São Paulo (USP) ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (7), após manifestantes ocuparem o prédio da Reitoria em meio à greve que já dura três semanas.
O protesto começou durante a tarde, no campus da Cidade Universitária, na Zona Oeste da capital paulista, e terminou com a invasão do saguão principal da Reitoria após estudantes derrubarem os portões do edifício. A Polícia Militar foi acionada para acompanhar a ocorrência e reforçar a segurança no local.
A ocupação ocorre em resposta à decisão da gestão da USP de encerrar as negociações relacionadas às reivindicações apresentadas pelos alunos grevistas, principalmente sobre o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE).
Atualmente, o auxílio pago pela universidade é de R$ 885 mensais para estudantes fora da moradia estudantil e R$ 330 para os residentes do conjunto habitacional da USP. O movimento estudantil reivindica que o benefício seja elevado para R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista.
Em nota, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) acusou os manifestantes de promover atos de violência, vandalismo e depredação do patrimônio público. A universidade afirmou ainda que medidas jurídicas e de segurança foram adotadas para conter novos danos.
Já o Diretório Central dos Estudantes (DCE) rebateu as acusações e afirmou que a ocupação ocorreu de forma pacífica. Segundo os representantes estudantis, a ação foi motivada pela “intransigência” da Reitoria em interromper o diálogo com os grevistas.
Os estudantes alegam que as condições enfrentadas por parte dos alunos são precárias, citando problemas como bolsas insuficientes, dificuldades de permanência e denúncias envolvendo a qualidade da alimentação estudantil e da moradia universitária.
Mesmo diante da tensão, a USP informou que as atividades acadêmicas e administrativas seguem mantidas normalmente nas unidades de ensino, pesquisa e museus da instituição.
A paralisação já afeta diferentes cursos da universidade e não há previsão para retomada das negociações entre os estudantes e a administração central.