Corregedoria da Polícia Militar prendeu quatro agentes suspeitos de corrupção no presídio Romão Gomes, em São Paulo
William Oliveira Publicado em 12/06/2025, às 11h14
A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo efetuou, na última terça-feira (11), a prisão de quatro agentes suspeitos de corrupção no interior do presídio militar Romão Gomes, localizado na Zona Norte da capital paulista.
Os policiais são investigados por, supostamente, receberem propinas para facilitar a entrada de celulares, substâncias entorpecentes e anabolizantes na unidade, onde estão detidos policiais militares aguardando julgamento ou já condenados pela Justiça, tanto civil quanto militar.
Todos os envolvidos exerciam funções dentro do próprio presídio. A investigação também abrange familiares dos detentos e dos policiais, que podem estar implicados no esquema ilícito.
A apuração sobre as atividades criminosas começou em fevereiro de 2024, quando foi descoberto um celular e um carregador escondidos na cela do soldado Eduardo José de Andrade. Este soldado cumpre pena de 29 anos por assassinato e decidiu colaborar com as autoridades, expondo os detalhes do funcionamento da rede de corrupção.
No depoimento prestado, Andrade relatou que dois sargentos responsáveis pela segurança da unidade facilitavam a entrada dos itens proibidos. Ele mencionou que a esposa de um dos presos atuava como mensageira, levando os celulares durante as visitas aos detentos.
Um novo episódio em fevereiro deste ano, com a apreensão de cinco celulares em posse de um funcionário que exercia a função de carcereiro, fortaleceu as suspeitas sobre a existência de uma organização criminosa bem estruturada dentro do presídio.
A análise das comunicações telefônicas de Andrade revelou conversas com traficantes, apontando para o fornecimento de drogas que eram comercializadas dentro da unidade. Informações adicionais indicam que a irmã e a esposa do soldado estavam envolvidas no transporte das substâncias ilícitas até o local.
Transferências bancárias entre os familiares de Andrade e dois outros soldados, Felipe Oliveira Mazola e Felipe Moreira da Silva, também foram identificadas e estão sob investigação. Juntamente com esses soldados, outros dois policiais militares foram apontados como coautores no esquema: o cabo Nilson Moreira da Silva, supostamente responsável pela distribuição de anabolizantes aos detentos, e o soldado Moreno Maximiliano Rocha, acusado de receber valores financeiros dos presos e seus parentes.
A Justiça Militar determinou a prisão preventiva dos quatro policiais envolvidos nas investigações. Eles enfrentam acusações por crimes como corrupção ativa, tráfico de drogas e associação criminosa. Atualmente, permanecem encarcerados na mesma instalação onde, supostamente, cometeram os delitos.
Em declaração sobre o caso, Emersom Massera, chefe da comunicação da Polícia Militar, expressou uma mistura de tristeza e orgulho: “Basicamente, os policiais facilitavam a entrada de aparelhos em troca de uma compensação financeira. Ao mesmo tempo que nos intristece prender quatro políciais, nos orgulha também, porque é a própria PM fazendo o trabalho de apuração.”
O presídio Romão Gomes foi inaugurado em 1957 e atualmente abriga 229 detentos — 227 homens e duas mulheres. Sua principal função é acolher policiais militares que estão cumprindo penas ou respondendo a processos judiciais em regime preventivo ou já sentenciados.