Uma megaoperação realizada nesta quinta-feira (30) desmantelou um esquema de fraudes fiscais que movimentou mais de R$ 800 milhões e envolveu um grupo familiar do setor de ar-condicionado
William Oliveira Publicado em 30/10/2025, às 08h00
Uma operação coordenada por uma força-tarefa composta pela Secretaria da Fazenda e Planejamento, Procuradoria-Geral do Estado e Ministério Público do Estado de São Paulo foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (30) para desarticular um esquema de fraudes fiscais envolvendo um conglomerado empresarial do setor de aparelhos de ar-condicionado.
Os principais alvos da ação são as empresas PoloAr e Uniar (anteriormente conhecida como STR). Até o momento, a defesa das companhias não foi localizada para comentar a operação. A investigação aponta que o grupo possui estrutura familiar, com participação de várias gerações em diferentes empresas patrimoniais e operacionais.
De acordo com a força-tarefa, o conglomerado mantém um patrimônio expressivo, que inclui imóveis urbanos e rurais, além de veículos de luxo registrados em nome das empresas e de seus sócios.
O grupo é classificado como devedor contumaz e acumula um extenso histórico de infrações relacionadas ao ICMS. Uma das empresas associadas deve mais de R$ 443 milhões em tributos estaduais decorrentes de autuações fiscais.
Após o acúmulo de dívidas, os responsáveis reestruturaram o grupo, criando uma nova empresa com o objetivo de evitar responsabilidades tributárias anteriores — prática que caracteriza uma sucessão empresarial fraudulenta.
A nova companhia passou a operar em Minas Gerais, deixando de recolher mais de R$ 250 milhões em ICMS referente ao diferencial de alíquota nas vendas a consumidores paulistas. Somado a isso, há R$ 150 milhões em débitos federais com a União.
No total, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em endereços comerciais e residenciais nas cidades de São Paulo (SP), Extrema (MG), Pindorama (SP) e Rio de Janeiro (RJ).
A operação mobilizou 40 auditores fiscais da Sefaz-SP, 11 procuradores, 10 promotores, além de 10 auditores da Receita Federal, 4 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e 40 policiais civis.
Durante a ação, foram bloqueados bens móveis e imóveis, bem como mais de R$ 200 milhões em ativos financeiros pertencentes aos integrantes do grupo econômico.