Coletas recentes revelam produtos químicos perigosos entre os resíduos acumulados nas praias do litoral paulista
Redação Publicado em 02/08/2025, às 09h14
Um cenário alarmante tem se desenhado no litoral de São Paulo, a quantidade de lixo que vem de outros países teve um crescimento de 500% nos últimos cinco anos. A informação foi registrada pela ONG Ecologia em Movimento (Ecomov), que aponta a China como a principal origem desses resíduos. As coletas de lixo revelam um problema que vai além da quantidade, com produtos químicos perigosos sendo encontrados nas praias.
Em uma das ações mais recentes, feita no dia 12 de julho, nas praias de Itaguaré e Guaratuba, em Bertioga, a equipe da ONG registrou 32 resíduos de fora do Brasil. No total, foram coletados 73 kg de lixo, e 2,3 kg eram de lixo estrangeiro, acumulados entre a areia e uma embarcação.
Aumento constante nos últimos anos
As ações da ONG mostram um cenário que parece piorar com o passar do tempo. Em 2019, ano em que a Ecomov começou a registrar os dados, foram encontrados 220 resíduos de 13 países. Já em 2024, esse número pulou para 1.128, de 20 países diferentes.
A quantidade de lixo de outros países encontrada por ano pela Ecomov foi:
Origem e perigos do lixo
Dos mais de 4,7 mil itens estrangeiros recolhidos pela Ecomov entre 2019 e 2024, a maioria veio da China (74,4%), seguida pela Malásia (12,4%) e pelos Estados Unidos (7,8%). Entre os itens mais estranhos encontrados está um botijão de gás chinês. A ONG consegue identificar a origem do lixo por meio de QR codes, sites ou rótulos nas embalagens. Um dos resíduos recentes que prova a origem internacional é uma garrafa de água mineral feita e vendida apenas no mercado chinês.
O presidente da Ecomov, Rodrigo Azambuja, ressalta que o lixo estrangeiro aparece em lugares inesperados, como em uma área de preservação ambiental da Fundação Florestal, em Bertioga. O local onde mais se encontra esse tipo de lixo é em Peruíbe, onde foram identificados 1.200 itens só entre 2023 e 2024.
Além da quantidade, a composição do lixo também assusta. Em algumas coletas, foram encontrados produtos com Gamazyme BTC, um químico corrosivo prejudicial para a vida marinha e pode causar lesões nos olhos das pessoas.