O ex-deputado Douglas Garcia se envolveu em uma troca de socos com manifestantes durante um tumulto na Faculdade de Direito da USP, em São Paulo
William Oliveira Publicado em 09/01/2026, às 09h34 - Atualizado às 12h12
Na última quinta-feira (8), um protesto contra o Projeto de Lei da Dosimetria gerou tumulto na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), localizada no Largo do São Francisco, em São Paulo. O ex-deputado estadual e atual suplente de vereador, Douglas Garcia, tornou-se o centro das atenções ao se envolver em uma altercação com manifestantes presentes no evento.
O ato foi organizado para marcar o terceiro aniversário da invasão e do vandalismo que afetaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, perpetrados por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Garcia compareceu ao local acompanhado por Rubinho Nunes, vereador da capital paulista, e Malcon Mazzucatto, vereador de Vinhedo, ambos do União Brasil. O ex-deputado buscava gravar vídeos questionando os manifestantes, prática frequente em suas redes sociais.
A tensão aumentou rapidamente, resultando na expulsão de Garcia pelas escadarias sob gritos de "recua, fascista", e sua camisa foi rasgada durante o confronto. Ao chegar ao térreo, o ex-parlamentar se envolveu em uma briga física com alguns militantes de esquerda. Posteriormente, Garcia compartilhou um vídeo defendendo suas ações como legítima defesa após ter sido agredido.
Confira o momento:
Relatos indicam que a situação se intensificou devido a provocações mútuas, culminando em ferimentos entre os envolvidos. A USP e a Polícia Militar foram acionadas para controlar o tumulto e investigar o ocorrido.
Rubinho Nunes negou qualquer acusação de agressão em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. Malcon Mazzucatto também divulgou um vídeo mostrando empurrões trocados com manifestantes.
Em nota à reportagem, a USP informou que o evento não foi promovido pela instituição e que sua única contribuição foi ceder o espaço para o Centro Acadêmico XI de Agosto (CAXI). A universidade lamentou o ocorrido e destacou que nenhum aluno da instituição se feriu.
"A briga ocorreu entre pessoas que não fazem parte da comunidade acadêmica. Nossos alunos não se envolveram e não se machucaram", afirmou a instituição.
A reportagem tentou contato com o ex-deputado Douglas Garcia, mas não obteve respostas até o momento. O espaço permanece aberto para manifestações.
Douglas Garcia Bispo dos Santos, 31 anos, é um político paulista ligado ao campo conservador. Ganhou projeção pública como fundador do movimento Direita São Paulo e tornou-se conhecido por ações ideologicamente confrontacionais.
Ele foi eleito deputado estadual por São Paulo em 2018 pelo PSL, com 74.351 votos, impulsionado pela ascensão do bolsonarismo. Na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), destacou-se por pautas conservadoras, como oposição à “ideologia de gênero”, defesa do Escola Sem Partido e críticas a movimentos de esquerda e à imprensa.
O mandato foi marcado por controvérsias: em 2020, Garcia foi expulso do PSL por violar o código de ética do partido e condenado judicialmente por danos morais devido ao “dossiê antifascista”, que reunia dados de cerca de mil opositores políticos. Em 2022, hostilizou a jornalista Vera Magalhães durante um debate eleitoral, resultando em seu afastamento de eventos de campanha do então candidato Tarcísio de Freitas.
Após não se eleger deputado federal em 2022, Garcia se filiou ao União Brasil e disputou uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo em 2024, ficando como suplente com cerca de 9 mil votos. Atualmente, sua atuação política concentra-se nas redes sociais, com estratégias de confrontos diretos gravados, especialmente em manifestações e ambientes universitários, método central no episódio recente na Faculdade de Direito da USP.